“O Natal em Aveiro e sua região”

D. António Marcelino apresentou livro de Amaro Neves Amaro Neves “é um homem a quem Aveiro e a sua região é devedora de muita gratidão”, o qual, juntamente com monsenhor João Gaspar, “são dois pilares do saber e da história”, sublinhou D. António Marcelino, para quem “é muito importante nós termos quem faça memória histórica”, porque “a história é sabedoria feita vida”.

A arte é, no dizer do antigo bispo de Aveiro, “este dom, próximo de nós, que nos permite participar da beleza”. Essas duas vertentes – história e arte – entrelaçam-se no livro “O Natal em Aveiro e sua região”, da autoria de Amaro Neves, que D. António Marcelino apresentou, no Hotel Moliceiro, em Aveiro.

“Fazer memória da história, fazer memória da arte é enriquecer-nos a todos”, e é também “tornar acessível um património que é de todos. O património cultural é património de todos. Quando nós falamos da missão da escola ou da educação é para que todos tenham acesso normal a um património cultural que é de todos”, realçou D. António Marcelino.

O prelado lamentou: “Hoje há mais gente projectada para a frente, sem se aperceber que só é possível um futuro porque há um passado e um presente”, ou como ele próprio costuma dizer, porque há “memória, consciência e projecto. Parece a mesma coisa, mas não é, porque a memória é vida, a consciência obriga-nos a uma reflexão e a assumir, e o projecto é aquilo que cada um de nós tem dentro de si e que vai construindo ao longo da vida”.

O tema do Natal tem, no dizer de D. António Marcelino, “uma força extraordinária para quem o souber agarrar, porque é história, é memória, é projecto. O Natal é projecto de vida permanente para todos nós”.

Um dos perigos que existe hoje, na sociedade, e para o qual o prelado alerta, é a possibilidade da “sociedade tecnológica desterrar ou desprezar os valores do espírito. O conhecimento fácil é um perigo real. Todos nós admiramos o desempenho da tecnologia e da ciência, beneficiamos delas”, mas “a ciência não é um valor absoluto, não é um valor já definido, a ciência está sempre em mudança, está sempre em desenvolvimento. Para que a ciência não desterre os valores do espírito, temos de estar presente, de torná-la humanizadora. Tudo quanto é evolução tecnológica ou está posta ao serviço do homem ou contra o homem, não há evolução tecnológica neutra”. Por isso, a ciência precisa dos “valores que a todos nós nos dignificam, nos aproximam e nos dão a capacidade de gostar de viver. Gostar de viver é importantíssimo. Ciência globalizou o conhecimento e a informação, tornou acessíveis a toda a gente coisas que eram impensáveis aqui há anos”.

Como sublinhou o bispo, “recordar o Natal é uma riqueza muito grande dos valores espirituais que humanizam o viver de todos os dias”.

Este livro de Amaro Neves, “alia o historiador com o artista, o investigador com o crente”, escreveu D. António Marcelino no prefácio da obra.

No livro, Amaro Neves presta homenagem a alguns artistas de Aveiro, “que pensaram, que criaram a sua imagem de Natal”, entre os quais, Jeremias Bandarra, José Augusto, Hélder Bandarra, Mário Mateus, Gaspar Albino e Zé Penicheiro.

Na capa, o livro reproduz uma pintura feita propositadamente para esse fim, da autoria do artista Humberto Gaspar.