
No domingo, 15, o Bispo de Aveiro ordenará diácono o jovem Gustavo Fernandes, com vista ao presbiterado. A ordenação acontece na igreja da Branca, pelas 16h00. O Correio do Vouga colocou algumas questões ao Gustavo Fernandes, no momento em que dá um passo decisivo na sua entrega a Deus e à Igreja.
GUSTAVO ANDRÉ DA SILVA FERNANDES
Nasceu no dia 14 de agosto de 1989, filho de Agnelo Fernandes Dias dos Santos e de Maria Zita Soares da Silva Fernandes, que vivem em Recardães. Tem um irmão. Depois de ter frequentado as escolas de Águeda (Escola do primeiro ciclo de Oronhe, Espinhel; EB 2.3 Fernando Caldeira, Águeda, e Escola Secundária Adolfo Portela, Águeda) e os encontros do pré-seminário, entrou para o Seminário de Leiria (Ano Propedêutico), fez o primeiro ano do curso teológico em Coimbra e os restantes em Lisboa. Concluiu o mestrado em teologia com uma dissertação sobre “A reforma conciliar do Ofício Divino. Passos e desafios na Igreja em Portugal”. “Trata fundamentalmente, dos passos dados desde o Concílio Vaticano II em torno da Oração da Igreja, a Liturgia das Horas, analisando as mudanças de conceito, promoção e publicação”, explica. Recebeu o ministério de leitor no dia 21 de abril de 2013 e o de acólito no dia 16 de novembro de 2014. Durante o seu percurso do seminário, colaborou pastoralmente no pré-seminário de Lisboa, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (Lisboa) e na Paróquia da Vera Cruz (Aveiro). Atualmente colabora na Branca e em Ribeira de Fráguas.
CORREIO DO VOUGA – Como nasceu a sua vocação?
GUSTAVO FERNANDES – A vocação – como todas – nasceu do Coração de Deus, no coração da minha família! Comecei muito cedo a descobrir o desejo de Jesus para mim, o modo concreto de eu participar do Seu projeto de Amor. Cronologicamente, consigo dizer que comecei a apercebe-me da voz de Deus com 6 anos. Hoje apercebo-me que o facto de ser pequeno e por ter nascido e crescido num ambiente saudável, na minha família, na Escola e na minha aldeia (Casaínho de Cima – Recardães) contribuiu muito para um despertar vocacional tão rápido. Posso dizer que o amor em que fui vivendo com os que me rodeavam foi canal do Amor de Deus por mim e que desde logo me cativou e seduziu.
O que foi importante para o seu percurso até chegar ao diaconado com a perspetiva de vir a ser ordenado padre?
É difícil eleger o mais importante no meu percurso, mas sem sombra de dúvida o sentir, nas diversas fases do crescimento (nunca acabado), o cuidado que Deus tem por mim, a fim de que cresça em “estatura e graça”, na alegria cristã, a qual é calma, perseverante, verdadeira e profunda. O encontro com Deus na oração e no encontro comigo mesmo e com cada pessoa são os grandes alicerces deste caminho.
Como vê hoje o perfil do padre?
O padre é um homem chamado e escolhido de entre os outros homens, sendo fruto do olhar terno e misericordioso de Jesus, que quer salvar a todos. Não é um homem perfeito, mas é alguém para quem o Senhor olhou com misericórdia, e, consciente do seu pecado e da cura que vem do estar com Jesus, vive como testemunho do Amor e Alegria de Deus! Fugindo das tendências da visibilidade, notoriedade e estatística, o padre descobre no caminho do serviço (disponibilidade total, humildade, silêncio e oração) o caminho de dar resposta concreta ao radical e constante chamamento de Deus! O padre, fecundo no Amor de Deus e no Amor aos outros, está no mundo indiviso, testemunhando o poder do Amor de Deus.
Quanto lhe perguntam, um jovem ou uma criança, “porquê? para quê ser padre?” o que responde?
Esta é uma questão que não raras vezes me colocam. O ponto de partida não pode ser uma chuva de ideias acerca daquilo que o padre faz, mas sim daquilo que o padre é! Não é por acaso que a expulsão das Ordens Religiosas de Portugal coincidiu com a pergunta “para que servem?”, apagando a pergunta “o que são?”. Sendo assim, ser padre só tem sentido por aquilo que é, sendo de um modo especial presença de Jesus no meio dos Homens, procurando olhar, tocar, falar e silenciar tendo por único critério Jesus e o Seu Evangelho! Resumindo, ser padre só se percebe com as palavras de Jesus, as quais são provocação para todos: «Vinde e vereis» (Jo 1, 39).
Vigília arciprestal de oração pelas vocações na Branca
O arciprestado de Albergaria-a-Velha está a viver com mais intensidade a Semana dos Seminários, aproveitando o facto de o futuro diácono colaborar nas paróquias da Branca e Ribeira de Fráguas. Em diversas paróquias, ao longo da presente semana, há encontros vocacionais com as crianças e jovens da catequese. Na sexta-feira, 13, pelas 21h00, há uma vigília de oração na igreja paroquial da Branca.
