Cavaco Silva eleito á primeira volta “Tentarei, sempre, honrar a confiança que em mim depositaram. (…) Os portugueses podem contar com um Presidente que pratica o diálogo, que sabe ouvir e estimula consensos onde se mostrem necessários e possíveis”, afirmou Aníbal Cavaco Silva na declaração de vitória
Cavaco Silva foi eleito Presidente da República com 50,59 % dos votos. 2 745 523 eleitores escolheram-no para “presidente de todos os portugueses”, como afirmou no primeiro discurso, à semelhança dos últimos presidentes da República. “O combate termina aqui hoje. A minha vitória não é a derrota de ninguém, apenas a escolha legítima dos portugueses para os próximos cinco anos. A todos saúdo e desejo votos de êxitos pessoais e profissionais”, disse, no estilo contido que o caracteriza.
Ao longo das três declarações que fez durante a noite eleitoral, no Centro Cultural de Belém, após as 22h, quando a incerteza de uma segunda volta, que chegou a existir, já estava afastada, Cavaco Silva repetiu as mesmas ideias. Uma delas, a de cooperação com o Governo: “De mim, o Governo legítimo de Portugal, como os demais órgãos de soberania poderão esperar um espírito leal, de respeito, de cooperação e entreajuda”, disse. Outra, a do trabalho “longo e exigente” que tem pela frente. “Cabe-nos a todos deitar mãos à obra”. O presidente eleito disse ainda “conhecer bem os domínios onde fazem falta consensos alargados na nossa sociedade porque se tornam vitais para o nosso desenvolvimento” e prometeu ajudar os desfavorecidos: “No centro das minhas atenções estarão sempre os que valem menos, aqueles cuja voz é menos ouvida”.
Tomada de posse
no dia 9 de Março
Cavaco Silva passou o primeiro dia após a eleição pôr alguns papéis em ordem e a despedir-se de algumas pessoas. Depois de dois dias de férias, começará a trabalhar na passagem de testemunho. No dia 9 de Março toma posse como Presidente, ao proclamar na Assembleia da República: “Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição Portuguesa”.
DECLARAÇÕES DA NOITE ELEITORAL
“Estou disponível para contribuir para um bom relacionamento com o Presidente da República, em nome da estabilidade.”
José Sócrates,
Primeiro-ministro
“Estarei pronto para dar voz à cidadania e participar em novos combates e novas causas.”
Manuel Alegre,
candidato independente
“A vida ensinou-me que este combate cívico termina hoje. Em democracia, perdem-se e ganham-se eleições, mas, como sempre afirmei, só é vencido quem desiste de lutar.”
Mário Soares,
candidato apoiado pelo PS
“As hesitações e posicionamentos do PS e do seu Governo desde a primeira hora contribuíram para ampliar as possibilidades eleitorais de Cavaco.”
Jerónimo de Sousa, candidato apoiado pelo PCP
“É uma derrota e comecei por dizê-lo, mas bati-me por uma mudança fundamental e fiz o que pude para apresentar as questões essenciais para uma democracia responsável.”
Francisco Louçã,
candidato apoiado pelo BE
“Esta vitória deve-se, como sempre denunciei, a uma tentativa golpista e antidemocrática da candidatura de Mário Soares.”
Garcia Pereira, candidato apoiado pelo PCTP/MRPP
Resultados
no país
Inscritos: 8 830 706
Votantes: 5 529 118
Abstenção: 37,39%
Cavaco Silva – 50,59%
2 745 523 votos
Manuel Alegre – 20,72%
1 124 671 votos
Mário Soares – 14,34%
778 395 votos
Jerónimo de Sousa – 8,59%
466 422 votos
Francisco Louçã – 5,31%
288 216 votos
Garcia Pereira – 0,44 %
23 617 votos
Resultados
no distrito de Aveiro
Inscritos: 597 230
Votantes: 388 564
Abstenção: 34,94%
Cavaco Silva – 59,74%
228 343 votos
Manuel Alegre – 17,82%
68 101 votos
Mário Soares – 13,52%
51 696 votos
Francisco Louçã – 4,36%
16 668 votos
Jerónimo de Sousa – 4,24%
16 209 votos
Garcia Pereira – 0,32%
1 222 votos
