O Pastor excepcional

À Luz da Palavra – 4º domingo da Páscoa – Ano A O tema do pastor e das ovelhas é muito utilizado na Escritura, tanto no Antigo como no Novo Testamento, para significar o cuidado de Deus para com o seu povo e cada membro deste mesmo povo. Jesus, ao usar a analogia do pastor e do rebanho para exprimir a sua própria missão, faz referência aos escritos de vários profetas. O Salmo que hoje cantamos é igualmente dedicado a Deus na qualidade de bom pastor.

Jesus é o pastor segundo o coração de Deus, anunciado pelos profetas. Mas é também a porta e o redil das ovelhas. Ele não é como os outros pastores de Israel, que exploravam as ovelhas e que abandonavam o rebanho quando este corria perigo. Jesus é um pastor único e excepcional: conhece cada ovelha pelo seu nome, Ele próprio é o seu alimento e o lugar do seu refúgio. Jesus é, ainda, a porta por onde as ovelhas entram no redil. Todas as ovelhas conhecem a sua voz. Ele é, de facto, o Bom Pastor!

Hoje, temos dificuldade em entrar na profunda identidade de Jesus como Pastor, pela falta de conhecimento da vida pastoril. Contudo, fica-nos a imagem suscitada pela alegoria. O “pastor” pode ser um bispo, um pároco, um/a catequista, um/a agente de pastoral, um/a professor/a, o pai e a mãe, isto é, aquela pessoa que se entrega com total dedicação a “cuidar” de um grupo de pessoas, que lhe foram confiadas, continuando na terra a missão de Jesus. Este “pastor” ou esta “pastora” prestam ao seu “rebanho” os cuidados que Jesus prodigalizou ao povo de Israel e quer continuar a dispensar-nos, hoje. Jesus, o Bom Pastor, é o nosso único Salvador, como afirma Pedro na segunda leitura. Ele suportou os nossos pecados no seu corpo: pelas suas chagas fomos curados. Éramos como ovelhas dispersas, mas voltámos para o nosso pastor.

Entre os “pastores” e “pastoras” de que falámos, devemos distinguir aqueles e aquelas que o são a tempo inteiro. Por isso, este domingo é dedicado às vocações de especial consagração a Deus ao serviço da humanidade. João Paulo II deixa-nos esta oração: “Ó nosso Salvador, enviado pelo Pai, para nos revelar o amor misericordioso, concedei à vossa Igreja o dom de jovens prontos a fazerem-se ao largo, para serem entre os irmãos uma manifestação da vossa presença salvífica e renovadora”.

Leituras do 4º Domingo de Páscoa: Act 2,14.36-41; Sl 23 (22); 1 Pe 2,20-25; Jo 10,1-10.

Deolinda Serralheiro