“O professor é um sinal do que vale a pena”

“Queira ou não, o professor é uma pessoa e um profissional sempre exposto, tão influente como vulnerável”, afirmou D. António Marcelino, no encontro com professores, que promoveu nas escolas católicas da área da diocese, no início da semana. O professor é um “sinal do que vale a pena”, disse, retomando uma expressão de Alte da Veiga, pedagogo da Universidade do Minho. Em oposição aos “catedráticos do efémero”, como podem ser os comentadores desportivos, o professor “é um catedrático do permanente”, defendeu D. António. “Não perde tempo com coisas banais. Se se ocupa delas, transforma-as em importantes”.

Centrando a sua comunicação no perfil do educador, o Bispo de Aveiro afirmou que “não há nada mais importante do que construir uma pessoa”. Mas essa missão do educador é, simultaneamente, “a mais perigosa”, porque “pode construir mal”. Daí que seja muito importante que o professor se interrogue a si próprio, conforme sugeriu o Bispo de Aveiro: “Identifico-me com uma escola que quer educar [para os valores]?”

Dessa forma pode ser “exemplo do processo educativo” e impedir a degradação moral a que se assiste.

Escola católica afirmada com convicção

A identidade da escola católica foi outra das ideias explanadas pelo Bispo no lugar do professor e escutada pelos professores nos lugares dos alunos. “Somos e assumimos a escola católica? Não temos de ter complexos”, sublinhou D. António. E exortou a assumi-la “sem orgulho e sem jactância, sem magoar ninguém, porque a sociedade democrática é livre”. Ora, ser escola católica é, antes de mais, ser escola com projecto, porque “tal como não se pode construir um prédio sem projecto, também uma escola sem projecto não vai a lado nenhum, porque perde o sentido”. Há necessidade de “um ideário que não seja uma súmula de bons desejos, mas em que os professores se empenhem verdadeiramente”. Nesse sentido, “a escola católica é um combate à neutralidade da educação, um combate vencedor, se a escola for uma comunidade coerente e solidária”. “Uma escola educada educa o professor”, disse.

No entanto, o Bispo de Aveiro realçou que, para se ser professor numa escola católica, o imprescindível não é ir à missa ao domingo. “A escola católica não exige prática cristã ao professor, mas não o dispensa de um compromisso com os valores humanos”. “Um professor pode ser muito religioso e ser um péssimo educador”, disse D. António Marcelino. Pode ter pouca prática cristã e ser “um belíssimo educador”.

Os encontros do Bispo de Aveiro com os professores (por vezes, com a comunidade educativa alargada) decorreram nos colégios católicos de Mogofores, Famalicão (Anadia), Calvão e Bustos.

J.P.F.