O público e o privado

Ponta de Lança É público que é no privado que se concentram as riquezas! Mas não deixa de ser público que é uma miséria reduzir tudo à esfera do privado.

O alcance da sugestão chega, num espaço livre de teorização da história, à pré-história! Afinal, o primeiro momento de confronto entre o público e o privado ter-se-á manifestado na ideia de posse (ainda no nomadismo, provavelmente!), talvez no período do homo erectus (há cerca de 700 mil anos, quem sabe?!) Ora sendo este antepassado o primeiro a usar utensílios de osso e pedra, é raciocínio lógico tentar materializar o que terá sido uma carnificina oral, num provecto debate, o que era de quem e para quê.

Fazendo o contrário do que é a história, damos um salto em frente e verificamos que se mantém o problema. Este percurso, do mais simples para o mais complicado (hoje tudo é mais complicado, há muito mais utensílios de osso e pedra!), oferece-nos a constatação horrível de como passamos a vida a deambular do público para o privado, ao ponto de classificarmos de privado (a) o espaço público das coisas privadas – as instalações sanitárias.

O nosso tempo, a in-voluir assim, ficará para a história como a Idade Demagógica!

Como?

É mesmo assim. Por que é que num momento em que é urgente recuperar o essencial continuamos a ser martelados por questões profundamente superficiais?

Carlos Silvino é colocado em liberdade (condicional) … em directo nas televisões à meia noite!? – qual é a notícia? A inoperância portuguesa? Carlos Silvino?

O Papa não autoriza o sacerdócio dos homossexuais?! Mas… era permitido?

Alguém (ninguém sabe quem!) manda tirar os crucifixos das escolas?! Mas ainda havia? Onde?… talvez nas privadas!

A gripe das aves; os aviões da CIA; o percurso político de Portugal na década de oitenta (não se fala de outra coisa nas presidenciais); autonomia nas escolas; mais violência nas escolas;…

O privado passou a ser devassado, violentado; o público perdeu o sentido de colectivo, plural. A quem interessa que não haja privado? Qual o problema do público? Estamos transmutados!

E como se não bastasse, o Benfica continua sem ganhar!

Desportivamente… pelo desporto!