Livro Summa Daemoniaca. Tratado de Demonologia e ManuAl de Exorcistas
José Antonio Fortea
Paulus
340 páginas
O diabo anda arredado das pregações, das homilias, das reflexões teológicas. Falou-se dele por momentos, durante o Ano Sacerdotal, porque o Cura d’ Ars sentia-se assediado pelo “grappin” (algo como “arpão”, “gancho”, espécie de âncora), com aliás é recordado precisamente nesta página, na secção “Poço de Jacob”. Mas é difícil levar alguém a sério se disser que foi tentado pelo diabo. Parece uma forma de fugir à responsabilidade pessoal. No entanto, há mal em que a explicação da responsabilidade humana parece insuficiente.
O livro “Summa Daemoniaca. Tratado de Demonologia e Manual de Exorcistas” apresenta-se como o mais completo tratado de demonologia actualmente existente na Igreja Católica.
Escrito em pleno século XXI, pelo sacerdote espanhol José Fortea, este livro expõe, no formato de pergunta e resposta, o que se conhece acerca da natureza do diabo, do inferno, da possessão demoníaca, do exorcismo e de todos os temas relacionados. Depois de mais de uma década de trabalho e após entrevistar centenas de exorcistas de todo o mundo, o autor apresenta este ensaio sobre uma matéria sensível.
Baudelaire escreveu um dia que a maior astúcia do diabo consiste em ele fazer crer que não existe. Embora a frase do poeta francês seja usada contra os que não acreditam no diabo, há que dizer que grande parte dos teólogos considera a questão secundária em termos de fé. Não é preciso o diabo e os seus demónios para explicar a maldade de que o coração humano é capaz.
Biblicamente – esse terá de ser sempre o ponto de partida – não há confusão entre demónios e diabo. Diabo é o tentador, o acusador. Mas nunca se fala em possessão diabólica. O diabo não possui ninguém. Os demónios possuem, mas são expulsos. E quando são expulsos, a pessoa fica curada. Biblicamente, os demónios são doenças. E se na linguagem comum usamos o termo demónio é para, de alguma forma, metaforizar o mal. Pensemos no demónio do poder. Do dinheiro. De tantos outros.
Um livro como este, quanto a mim, ao escrever, por exemplo que, quando acontece um azar, “o sacerdote deve responder que não há forma alguma de saber se por detrás desses factos que lhe refiram está ou não o demónio” (página 56), está a prestar um mau serviço a quem quer ser esclarecido. Mais confusão lança. Ao usar uma linguagem que fala de demónios íncubos e súcubos, outro exemplo, está a recuperar categorias que deviam estar nos museus do cristianismo.
O mal precisa de uma explicação. Se tem mecanismos, compreendê-los pode ser uma forma dissolvê-lo para fazer sobressair o bem. Mas apelar ao demónio com tanta facilidade não é mental nem espiritualmente saudável. O maior drama pode vir precisamente da omnipresença mental do demónio.
Este livro será apresentado hoje, 7 de Julho, pelo padre Joaquim Carreira das Neves, na Bertrand do Chiado, em Lisboa, pelas 19h00, e amanhã, 8 de Julho, na livraria Almedina do Arrábida Shopping (Gaia), pelas 20h30. Em ambos os eventos o autor estará presente.
J.P.F.
Sobre o autor
José Antonio Fortea Cucurull nasceu em Barbasto, Aragão, em 1968, é sacerdote e teólogo especializado em demonologia. Fez os seus estudos de Teologia na Universidade de Navarra e licenciou-se em História da Igreja na Faculdade de Teologia de Comillas, Madrid. Pertence ao presbitério da diocese de Alcalá de Henares (Madrid). Em 1998 defendeu a sua tese de licenciatura, “O Exorcismo na Época Actual”. No campo da demonologia é considerado como uma das autoridades máximas mundiais. Dedica parte do seu tempo a fazer conferências em seminários e universidades pelo mundo. Combina o seu trabalho de teólogo com o labor paroquial em Santa Maria Madalena na localidade de Anchuelo (Madrid).
