Olho de Lince “Ó vizinho!”… E eu estranhei o tratamento, em pleno coração da cidade, onde não é comum este modo de chamar alguém. Mais estranho me pareceu, quando, ao voltar-me, não percebi qualquer espécie de proximidade com o rosto daquele casal que me interpelava.
Queriam uma informação, porque nem sequer eram das redondezas. Esforcei-me por lhes tornar possível encontrarem quem tinham ao telefone “do outro lado da linha”. Espero que tenham conseguido.
Mas fiquei a matutar naquela tão cordial maneira de se dirigir a alguém. O acento da pronúncia levou-me a supor de onde poderiam ser. E, provavelmente, por esses lados ainda há reserva de humanidade suficiente para se tratarem os vizinhos com esta familiaridade. Há “bolsas” de afectividade entre vizinhos, em certas zonas, que resistem a todas as degradações interesseiras, a todos os anonimatos, a todas as pretensões de modernização egoísta. Ainda bem! Espero que fique feliz comigo, por não termos degenerado ainda todos!
Q.S.
