Olho de Lince É sempre um prazer experimentar os valores de proximidade que persistem nas nossas populações, com evidente relevo nos meios ainda marcados pela ruralidade. Sabem a oásis, neste deserto de solidão e anonimato, que avança drasticamente pelos terrenos da humanidade.

Quando se trata de os verificar naqueles que, gastos pela vida, já se movem penosamente, redobra o sabor a frescura de tais sinais de solidariedade. E é o caso.

Ajudando-se mutuamente, estes “jovens”, já bem entrados nos oitenta, repetem a sua peregrinação a caminho de casa de uma amiga, já avançada nos noventa, que agora espera, acamada, a caridade de quem ainda se move, para um trocar de olhares e dois dedos de conversa.

Já não é possível avaliar muito bem tudo o que passará no espírito daquela velhinha ao receber estas visitas. Mas que as lembranças afluem e que a alegria de coração brota não restam dúvidas. Afinal, com um pequeno esforço pode-se dar tanta alegria!…

Q.S.