Ponta de Lança Com a devida vénia à celebérrima pugna de 75, eis o assunto com a pertinência que o momento suscita e que, se fosse hoje e sobre a matéria em debate, nunca a expressão seria imortalizada!
Não podemos, não queremos, não devemos abordar este assunto (não) suscitando qualquer tipo de considerações que não relevem a matéria actualíssima, a complexidade do debate nacional sobre o próximo referendo. Porém, neste contexto desportivo, sempre haveria espaço para dizer, a par com tantos outros argumentos com graus de seriedade e profundidade duvidosos, que os nossos estádios estão vazios por causa da baixa taxa de natalidade!?
Assim, este apontamento insere-se numa abrangência elementar, dado que a génese do problema é da máxima simplicidade: a partir de que momento o ser humano é ser humano? Como é simples a concepção, é complicadíssima a definição! Por isso, recorremos a um argumento aritmético, para sermos exactos na opção!
Concordamos com todos os argumentos inerentes aos direitos dos seres humanos viverem e viverem com dignidade integral; aos argumentos de quem apela ao sim à resposta sobre se “concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde autorizado?”. Ninguém está contra a vida, ninguém está contra a liberdade, ninguém está contra a dignidade, … ninguém! Nós também não.
Aqui começa a nossa aritmética. A estes argumentos vamos adicionar (somar, pois claro!) os argumentos dos movimentos defensores do não, que, numa formulação simples, podem resumir-se em: 1º. O ser humano está todo presente desde o início da vida, quando ela é apenas embrião; 2º. A legalização não é o caminho adequado para resolver o drama do “aborto clandestino”; 3º. Não se trata de uma mera “despenalização”, mas sim de uma “liberalização legalizada”; 4º. O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre; 5º. O aborto não é uma questão política, mas de direitos fundamentais. O respeito pela vida é o principal fundamento da ética, e está profundamente impresso na nossa cultura.
Um mais um… igual a dois (por exemplo, a mãe e o bebé)!
Terminada a adição, …o resultado é … (espanto!) são todos a favor do não (à pergunta)! Estamos todos de acordo, somos todos pela defesa da vida, dos direitos de todos a viver e a viver em liberdade e com dignidade?!
Além de todos os argumentos adicionados, também nos recusamos a acreditar que, em matéria tão séria, haja aqui a presença de qualquer acção anarco-humanista (ou, no âmbito das suas categorias, do humanismo anárquico); também não queremos vislumbrar interesse económico-sanitário a ditar determinadas fracturas sociais; e, com toda a certeza, não se trata dos recorrentes enviesamentos opinativos de demolição do património humanístico-cristão (confundido com Igreja Católica) da Europa?! Não, não há nada disso!?
Então, para que é o referendo?
Porém, haverá altruísmo, solidariedade, preocupação social, quando para ajudar a resolver situações tão profundas é necessário partir para a eliminação do pretenso problema logo no ventre materno?…huuuuuum!? Olhe que não, olhe que não!
Desportivamente… pelo desporto!
