Olho de Lince

O comentador disparou sem gaguejar: Isto vai exigir muito mais trabalho de professores e alunos. Referia-se à implementação do Processo de Bolonha, uma proposta da União Europeia para a reformulação dos estudos universitários.

Com efeito, a exigente selecção e concentração de matérias em ciclos mais curtos (por exemplo, a licenciatura em três anos) e a consequente necessidade de os currículos serem complementados por uma estruturada formação permanente…vão reclamar uma aplicação muito mais atenta, laboriosa e persistente, de docentes e alunos. Vão exigir um verdadeiro clima de trabalho.

Para bastantes universitários, o paradigma tem de mudar: de um misto de lazer e ocupação, de um espaço de “rambóia”, de um treino na contestação e irreverência, a vida universitária tem de passar a ser, como a vida de qualquer cidadão, tempo de trabalho e crescimento, de compromisso pessoal e social, de exercício responsável de cidadania enquadrada no desenho de futuro que se pretende, onde os problemas menores serão reduzidos à sua verdadeira dimensão.

Somos capazes, sem dúvida, de enfrentar estes desafios, como outros os enfrentam e superam. Há muitos docentes e alunos que respiram, como norma, este clima. Mas é perfeitamente visível que as novas perspectivas colidem, para muitos outros, com a cultura dos mínimos para “safar”, das colagens ao trabalho dos outros, com os hábitos da noite desgastante… Como também colidem com as rotinas dos docentes, com a preguiça das “sebentas”, com a mentalidade de “despejar matéria”… Uma viragem, que é sempre salutar!