Onde a vida é feita de silêncio, oração e trabalho

ANTÓNIO ARESTA

Vinte e cinco anos depois do regresso das Carmelitas a Aveiro e 350 após o início da sua presença na Diocese, celebrou-se o Jubileu do Carmelo de Cristo Redentor

“Neste Convento de Cristo Redentor, sabemos, sentimos e sublinhamos que aqui todos podemos encontrar um lugar de oração e de encontro com Deus. Que aqui encontramos um lugar de acolhi-mento e de recolhimento. Que aqui descobrimos um lugar de escuta e de acção. Que aqui procuramos um lugar de paz e de bem”.

D. António Francisco dos Santos presidiu à Eucaristia em que concelebraram ainda D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, D. António dos Santos, Bispo Emérito da Guarda, e diversos sacerdotes. Presentes ainda diáconos e leigos vindos de diferentes lugares da Diocese. Este acto celebrativo, “vinte e cinco anos depois do regresso das Carmelitas a Aveiro” e 350 após o início da sua presença na Diocese, teve como objectivo primeiro “dar graças a Deus por este lugar de oração a Deus e de encontro e com Deus, lugar de acolhimento das pessoas e de recolhimento diante de Deus, de escuta e de acção”, e a partir do qual “se faz acção evangelizadora e missionária”, como fez questão de sublinhar o prelado aveirense. Serviu igualmente para “dizer o quanto aprendemos convosco e o quanto precisamos de vós”. Numa alusão directa ao Carmelo de Cristo Redentor e à acção ali desenvolvida pelas Irmãs Carmelitas, disse o nosso Bispo tratar-se de “uma vida feita de silêncio, de oração e de trabalho”, de “acolhimento que transborda e irradia não apenas pela Diocese”, um “acolhimento de Deus, uma busca incessante de Deus que irradia pelo mundo” num mundo de “pressa que aqui encontra serenidade, paz e tempo para Deus, para os outros, para nós”, um “mundo frágil e frio da rotina”. Aqui, disse D. António Francisco, “é sempre tudo novo, com a novidade e a beleza de um Deus único que nos surpreende com o dom da vida em cada manhã que nasce, com o dom da felicidade em cada gesto, em cada sorriso, em cada palavra, em cada ajuda aqui procurada, em cada oração aqui partilhada. No mundo da procura da qualidade, da beleza e da vida, neste mundo preocupado com a Ecologia e com a Esperança, aqui (no Carmelo) encontramos o Sinal de Deus e o Sinal da Esperança no futuro. Escondidas com Cristo em Deus, aprendemos convosco que Deus, através de nós, se revela em Cristo”.

Neste dia em que se celebrava a Festa de Cristo Rei e Senhor do Universo (23 de Novembro), o Seminário e a “dinamização da pastoral vocacional” marcaram também presença, tendo o Bispo Diocesano afirmado que “os nossos seminaristas e sacerdotes confiam na oração e no testemunho do exemplo de santidade” das Irmãs Carmelitas. E expressou um pedido: “Ensinai-nos Irmãs Carmelitas a procurar Deus através de Jesus Cristo, Rei e Senhor, Cristo Redentor do Mundo, ontem, hoje e sempre, procurando fixar o nosso olhar sobre as realidades invisíveis que são eternas aguardando a manifestação gloriosa do salvador”.

“Lugar onde Deus se procura, se encontra, se revela, se testemunha”

“A vida de uma carmelita é uma vida escondida de clausura e sem visibilidade imediata. Uma vida feita de silêncio, de oração e de trabalho. O silêncio não faz ruído. A oração não faz eco. O trabalho não traz lucro acrescido. Parece tudo muito estranho aos olhos do mundo. Mas é a oração que ecoa nesta vocação desde a sua origem. Quão longe vai a vossa oração. A vocação é sempre um dom gratuito de Deus que nasce do diálogo e que se projecta num incontido desejo e sentido de serviço aos irmãos. Não estranhamos, por isso, que aos olhos da fé a vida de clausura seja a que está mais próxima de Deus e também mais na vanguarda da missão e do anúncio do Evangelho”. (…) O Carmelo é um desses lugares visíveis onde Deus se procura, se encontra, se revela, se testemunha”.

D. António Francisco