De há muito estou convencido que uma vida sem objectivos e uma educação sem exigências só podem levar a vidas fracassadas e sem rumo. Cada dia que passa esta convicção ganha mais consistência.
Esteve em Portugal um homem célebre, Bill Gates, que tem esta opinião: “Uma política educacional de vida fácil para as crianças tem dado origem a uma geração sem consciência da realidade. Esta política tem levado as pessoas a falharem nas suas vidas após a escola.” Uma das onze regras que este senhor ditou a alunos de uma escola secundária, com uma fina crítica cheia de realismo e de humor, diz assim: “Sê respeitador dos estudantes, teus colegas, que os outros julgam uns marrões. Existe uma grande probabilidade de um dia vires a trabalhar para um deles…”
Pareceu-me que a passagem de Bill Gates por aí entusiasmou mais pelo que deu e prometeu, que pelo testemunho e pelo caminho andado de uma vida regrada e dura, que resultou em sucesso.
Não escondo a preocupação ao ver, todos os dias e de muitos modos, que os caminhos para a solução dos problemas da gente nova, e não só, se resumem a soluções de momento, sempre agradáveis e pouco exigentes: Preservativo gratuito para evitar gravidezes indesejadas e doenças graves; drogas mais leves para não privar do prazer e estimular à fuga das pesadas e perigosas; Internet para crianças sem família e sem pão; horários alargados, a avançar pela manhã fora, para casas da noite, para não desagradar aos noctívagos, sem respeito pelos vizinhos e pelo seu legítimo descanso; leis escandalosamente permissivas que permitem o divórcio imediato aos imaturos que desistem à primeira contrariedade; pílula grátis, embora com sequelas, para facilitar o aborto a quem o desejar.
Tudo o que seja favorecer gostos pessoais e facilidade de vida é regra intocável e a apoiar. Disso sem encarregam alguns grupos minoritários, especialistas em pressionar, e a comunicação social que já arrumou a preocupação de ser um serviço útil à sociedade, em favor da subida das audiências e da venda de papel. Todos os meios são aptos e se aceitam, menos os sérios e respeitáveis.
Ajudar a construir uma pessoa nova, e esse deve ser o objectivo de todos os educadores conscientes, uma pessoa com ideal, sentido para a vida e objectivos que determinem um futuro sadio e responsável, não é possível sem uma educação paciente, séria e continuada, que leva a pessoa a respeitar-se a si própria, a aceitar regras de conduta, a adquirir convicções, a ganhar hábitos de trabalho, a ser educado e correcto para com todos, a não se negar ao esforço diário, a ser justo e verdadeiro, a ser capaz de viver em sociedade.
Ninguém cresce a partir de fora. O que vem de fora são ajudas que contam com a capacidade interior, os dons pessoais e o valor do tempo. Educar não é impor nem substituir e, muito menos, iludir ou enganar. A capacidade de dizer sim quando o sim constrói, e de dizer não, quando o não se impõe, por mais duro que seja dizer sim ou não, é o que vai, a seu tempo, determinar o uso correcto da liberdade e a maturidade pessoal.
Saber usá-la é fruto de uma aprendizagem diária. Um processo educativo correcto, que leva a fazer o que é devido, a procurar e seguir o caminho certo, a corrigir, serenamente, os erros cometidos, a prosseguir, com alegria e esperança, o rumo desejado, a ter consciência de que uma vida sólida se constrói, com esforço e determinação, ao longo dos anos.
Dar respostas fáceis a problemas difíceis, como está a acontecer, é destruir o tecido social, falsear o processo educativo, encher o país de gente inútil, enganar as novas gerações, porque não se lhes fala verdade e se dá uma visão falseada da vida, das suas possibilidades e dificuldades.
