Dá-me, Senhor, uma boa digestão
e algo também para digerir.
Dá-me a saúde do corpo
e o bom humor para conservá-la.
Dá-me, Senhor, uma alma santa
que entesoura tudo o que é bom e puro,
para que eu não me assuste com o pecado
e, ao me esbarrar com ele,
trabalhe para novamente pôr as coisas no lugar.
Dá-me, Senhor, uma alma que não conheça o tédio,
nem resmungos, suspiros e/ou queixas.
Também não permitas que me preocupe demais
com esta “coisinha” tão absorvente que se chama “eu”.
Dá-me, Senhor, o senso do ridículo.
Concede-me, Senhor, a graça de compreender
uma piada e uma brincadeira,
para experimentar na existência um pouco de alegria
e saber comunicá-la aos outros. Amém.
Tomás Moro
S. Tomás Moro (1478 – 1535) foi proclamado patrono dos governantes e dos políticos por João Paulo II (31-10-2005), em virtude do “testemunho (…), até ao derramamento do sangue, do primado da verdade sobre o poder”. Autor da obra “Utopia”, o primeiro leigo a ocupar o lugar de Chanceler do Reino de Inglaterra é também conhecido pelo seu bom humor, como mostra esta oração.
