Até sábado debatem-se temas como a cultura digital e a fé na juventude.
Tem início hoje e decorre até ao dia 9 de fevereiro a assembleia plenária anual do Conselho Pontifício da Cultura (CPC), dedicada ao tema “Culturas juvenis emergentes”.
A página oficial do CPC adianta que a reunião anual do organismo vai analisar os “temas juvenis” nos vários continentes, numa análise a “esta realidade em evolução e mudança”.
Em causa estão as “culturas de jovens e adolescentes, com idade entre os 15 e 29 anos”, um mundo “marcado pela complexidade, fragmentado em vários tipos, sem qualquer modelo único ou homogéneo”.
Os trabalhos da assembleia plenária do CPC vão abordar questões como ‘Do universo ao «multiverso», análise das culturas juvenis’, ‘Nativos digitais: linguagem e rituais’ ou a ‘Fé na juventude’.
O documento preparatório, distribuído à imprensa, fala da importância de “acolher o anseio dos jovens pela dimensão profética do Evangelho, na denúncia de hipocrisias e incoerências” e alimentar a “esperança que liberta da superficialidade e empenha as pessoas na justiça social, nas causas ecológicas e nos movimentos de superação de preconceitos”.
“Ouvir as novas gerações e levar a sua situação em consideração é uma oportunidade valiosa e uma exigência para os adultos e as comunidades cristãs”, acrescenta a nota do CPC.Os participantes vão ser recebidos em audiência por Bento XVI no dia 7 de fevereiro.
O acesso ao encontro é limitado aos membros do Conselho e seus consultores, entre os quais se contam o bispo Carlos Azevedo e o padre e poeta Tolentino Mendonça.
J.P.F. com Ag. Ecclesia
O que diz dos jovens o “ministro da cultura” do Vaticano
Na conferência de imprensa de apresentação do encontro, o Cardeal Ravasi afirmou sobre os jovens:
– “A língua dos jovens é diferente da minha, e não é só porque usam um décimo do meu vocabulário: os nossos jovens são nativos digitais e a sua comunicação adotou a simplificação do Twitter, a imagem dos sinais gráficos dos telemóveis”.
– “A lógica informática binária do ‘save’ (guardar) ou ‘delete’ (apagar) regula também a moral, que é apressada: a emoção imediata domina a vontade, a impressão determina a regra, o individualismo pragmático é condicionado apenas por eventuais modas de massa”.
– Caminham com os seus auscultadores, como se estivessem “‘desligados’ da insuportável complexidade social, política, religiosa” criada pelos adultos.
– “A diferença dos jovens não é apenas negativa, mas contém sementes surpreendentes de fecundidade e autenticidade”.
