Olhos na Rua Nos países anglo-saxónicos o latim é obrigatório. Entre nós, que falamos uma língua latina, pareceu desde há anos aos “inteligentes” do país ser um desperdício estudar latim, uma língua sem interesse e que já ninguém a fala hoje… Os chineses, no seu propósito de aprenderem línguas ocidentais, reconheceram que será muito difícil poder fazê-lo sem se conhecer o latim, língua mãe de algumas das línguas faladas na Europa e não só. E vai daí, decidiram.
Se nos recordamos, foram a pobreza cultural e os preconceitos ideológicos que baniram o latim do currículo escolar. Era língua de padres, dizia-se, coisa da Igreja e da religião, e isso não interessa a um país moderno… Como consequência, a desgraça de termos gente com curso superior que escreve com erros de palmatória, gente com diploma com dificuldade em redigir duas frases direitas, gente que diz asneiras de português que um bom aluno com a antiga quarta classe não diria. Os professores de outros tempos sabiam português e sabiam ensinar. Não falta hoje quem saiba e faça tudo para o ensinar. Mas têm de o fazer dentro do sistema e este não ajuda, antes dificulta.
O novo acordo ortográfico parece mais um acordo pragmático que científico. Já se começa a perceber onde tudo isto vai parar. Daqui a alguns anos – quem sabe? – talvez tenhamos de pedir aos chineses que nos ensinem a falar e a escrever português sem erros. Já cá têm tantas lojas que mais algumas, agora de línguas, nunca serão de mais…
