Os peregrinos a pé

Tempo sereno! Dias resplendentes

Levam à procura de novos ambientes.

Todos somos peregrinos na terra:

Quem o disse pensou bem, e não erra.

Vede-los peregrinos em nossas estradas

Pelas bermas, ao sol ou à sombra das ramadas.

Vêm de terras longínquas, confluindo:

Este seu desfilar faz o mundo mais lindo.

Qual procissão, marchando em frente,

Esta fila que cresce é um rio de gente

Com suas esclavinas, de cores ao vento,

Um bordão, água e pão e mantimento,

Vão falando, ora rezando, ora cantando;

Rentes às viaturas que passam rodando.

Deles o combustível, onde? Quem o vê?

O que transpõe montanhas: é a fé.

Peregrinos,

Transcende em vós um halo espiritual.

É a força convergente para um centro vital:

No chão de Fátima – altar do mundo.

Quando se chega, respira-se fundo.

Passado um ano, voltareis novamente?

Há certa mola que impulsiona em frente.

E há uma meta também inatingível,

Assim como Abraão: buscava o Invisível.

Dando atenção àquilo que vos move,

Porque será que o meu coração se comove?

Sem fé e sacrifício o mundo não avança:

Vós sois em nossa terra um pregão de esperança.

Pe José F. Fernandes, Mogofores