Os voluntários fazem milagres

16º aniversário do voluntariado Hospitalar de Aveiro O Voluntariado do Hospital Infante D. Pedro (os “batas amarelas”) existe há 16 anos. Comemorou-os na tarde de sábado, numa sessão que além de convívio incluiu uma palestra do ortopedista Amorim Figueiredo e uma reflexão do Pe João Gonçalves, capelão da unidade hospitalar de Aveiro

“O voluntário nunca se deve incomodar com a doença, mas sim com o doente”, afirmou Amorim Figueiredo, numa comunicação centrada nos direitos e deveres dos doentes. “O doente é rei. Se ele não estivesse aqui, também não estaríamos. É a razão da nossa existência”, acrescentou, sublinhando algumas virtudes sagradas que os voluntários devem ter: verdade, confidencialidade e fidelidade.

Por seu turno, o capelão sublinhou que “o voluntário é aquele que quer fazer coisas que estão para além das regras e das leis”. Nesse sentido, “quando, em vez de estarem nas altas pistas da Internet ou a ler uma revista no sofá ou a fazer tricô, dão do seu tempo, fazem milagres”, porque “quebram as leis da natureza” e “isso incomoda outras pessoas”. E a seguir o Pe João Gonçalves lembrou que, “para aqueles que são cristãos”, ir ao encontro do doente é “ir ao encontro de Cristo”.

O Hospital de Aveiro tem actualmente 90 voluntários que pelo menos duas vezes por semana oferecem oferecem mais do que uma hora do seu tempo aos doentes. Entre os voluntário há jovens universitários.

Agustina Bessa-Luís escreveu recentemente um “Elogio do Voluntariado”, distribuído no encontro de sábado, que define sabiamente o trabalho desenvolvido por estas pessoas: “Servir um almoço, ajeitar uma almofada, tem mais poesia do que as valsas de Strauss. Penso que o lema do voluntariado devia ser este: Sejam realistas, peçam o impossível! O voluntariado não é uma ocupação, é uma travessia na noite, é uma travessia onde se inventa o dia seguinte”.

“Como Voluntário deste Hospital, eu me comprometo:

– A respeitar a consciência da pessoa doente;

– A procurar, no que estiver ao meu alcance, que o meu desempenho seja da mais alta qualidade, como um serviço ao bem de todos;

– A respeitar as normas o do Hospital e as suas boas tradições dignificantes para a comunidade”

Excerto do Compromisso proclamado pelos voluntários