À Luz da Palavra – Domingo III da Páscoa A Palavra deste Domingo lembra-nos que à comunidade cristã foi confiada a missão de dar testemunho e de viabilizar o projecto libertador, que Jesus iniciou. Também nos assegura que Jesus ressuscitado há-de acompanhar sempre a sua Igreja em missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua palavra.
O evangelho diz-nos que Jesus ressuscitado está ali, junto dos seus discípulos, mas eles não se deram conta disso e resolveram voltar à faina de antigamente. Saltaram para o barco de Pedro e foram, mar dentro, pescar com ele. Esqueceram-se que o Senhor lhes tinha entregue outra missão – a de serem pescadores de homens. Esqueceram-se que, doravante, Ele é o grande Senhor e que sem Ele nada podem fazer. Por isso, Jesus lhes pede de comer, lhes pede o fruto do seu trabalho. E eles, quase desesperados, nada têm para lhe dar. Contudo, à ordem do Mestre e, sob o seu olhar, desfrutam de uma pesca abundante. É por este sinal que reconhecem o Senhor. O Senhor está lá para lhes dar de comer, tal como hoje está presente na assembleia litúrgica sempre que celebra a Eucaristia, na qual Jesus Cristo é o pão que sacia a nossa fome. Tal como outrora, Jesus pede-nos também, hoje, um certificado de amor: “Simão, filho de João, tu amas-me?”. Se me amas “segue-me”, acrescenta Jesus. De facto, os discípulos retiveram esta chamada do Senhor ressuscitado: “Segue-me!”. Doravante, é outra a faina no âmago do avaro mar do mundo, onde são lançados, e outros são os peixes que apanham, para oferecer ao Mestre, nas praias desertas da vida. A experiência dos discípulos de Jesus pode ser a nossa própria experiência e a dos discípulos de todos os tempos. Hoje, Jesus também me pergunta: “Amas-me?” Quando trabalhamos por Ele, contamos com a sua presença? A nossa fé leva-nos a ter critérios diferentes dos que a não têm? O nosso agir apostólico, no mundo do trabalho ou na comunidade, tem o suporte da oração, da intimidade com Jesus? Ele labuta connosco para que o nosso trabalho possa dar fruto? Que levo para a vida quotidiana da Eucaristia que celebro cada domingo?
A primeira leitura conta-nos a ousadia dos apóstolos em falar no nome de Jesus, a quem os seus conterrâneos deram aviltante morte, o que atraiu sobre eles afrontas e prisões. Mas são felizes, porque seguem o seu Senhor! Por isso, saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido ser ultrajados por causa do nome de Jesus. Como reajo eu diante dos sofrimentos que me advém pelo facto de aceitar Jesus na minha vida?
A segunda leitura exalta Cristo ressuscitado, o Senhor da glória, centro de toda a criação. A Ele se elevam louvores, no céu e na terra, porque pela sua morte e ressurreição se tornou Senhor do nosso tempo e da nossa história.
Domingo III da Páscoa: Act 5,27b-32.40b-41; Sl 30 (29); Ap 5,11-14; Jo 21,1-19
Deolinda Serralheiro
