Aos 86 anos de idade, o Padre Manuel Ribau Lopes Lé fechou “a circunferência” da sua actividade sacerdotal, no Domingo, 16 de Novembro, dia em que o Padre Paulo Cardoso da Cruz foi empossado como administrador paroquial da Gafanha da Encarnação.
Na homilia, o pró-vigário geral da Diocese, P.e Georgino Rocha, em representação do Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, afirmou que a obra do P.e Manuel Ribau Lé é bem visível, mas mais importante do que essa obra física, foi o trabalho espiritual e doutrinal que desenvolveu, ao longo de meio século, com a comunidade paroquial da Gafanha da Encarnação. O P.e Manuel Ribau Lé é um bom exemplo do “servo bom” que soube duplicar os “cinco talentos” que lhe foram confiados, da parábola do Evangelho desse dia.
Aproveitando o facto de nesse Domingo terminar a Semana dos Seminários, e da Gafanha da Encarnação ter dado quatro padres e um missionário à Igreja, o P.e Georgino Rocha desafiou os jovens e as famílias cristãs da paróquia a rentabilizar os seus “talentos”, fazendo frutificar novas vocações sacerdotais.
Uma das consequências da falta de vocações sacerdotais é o número reduzido de padres actualmente existentes no arciprestado de Ílhavo, motivo pelo qual a Gafanha da Encarnação não terá, para já, um pároco, mas um administrador paroquial que coordenará a paróquia até à nomeação de um pároco. Durante este período, que não está definido, o P.e Paulo Cruz contará com o apoio dos padres Manuel Ribau Lé e César (ex-capelão das tropas pára-quedistas), e da restante equipa paroquial, nomeadamente do diácono António Carlos Vilaça Delgado.
Novos horários das missas
A falta de padres no arciprestado de Ílhavo e o facto do P.e Paulo Cruz ser pároco da Costa Nova e da Barra, levou à alteração dos horários dominicais das missas.
A missa vespertina (sábado) passará para as 18 horas.
Ao Domingo só haverá uma missa, que terá início pelas 10 horas.
Durante a semana, as missas continuarão a ser celebradas pelo P.e Manuel Ribau Lé.
No dia 18 de Janeiro de 2009, o Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos presidirá à celebração do Crisma, na igreja matriz da Gafanha da Encarnação.
Viveiro de vocações
Para o P.e Georgino Rocha, o acto de sucessão de um pároco Manuel Ribau Lé foi motivado pela sua “idade avançada e também pela fragilidade da sua saúde e, consequentemente, à necessidade de se atender às exigências desta comunidade que é uma comunidade grande, numerosa e de gente com desafios”.
Ao “Correio do Vouga”, o pró-vigário geral recordou que a Gafanha da Encar-nação “foi um viveiro de vocações. Só para recordar alguns, posso mencionar o P.e Matias Ribau, que enquanto pá-roco do Covão do Lobo foi o pároco que baptizou o P.e Paulo Cruz, o P.e Celerino, o P.e Licínio, que esteve presente e orientou os cânticos desta cerimónia”. Por isso, lançou o desafio às famílias, e aos jovens em especial, para manterem viva essa tradição de vocações.
O P.e Paulo Cruz considerou que o seu cargo como administrador paroquial não tem um período pré-estabelecido, mas “depende da solução que se encontrar. É sempre numa perspectiva de resolução, a qual passa pela nomeação de um pároco”. Por isso, “é ainda muito cedo para se falar em objectivos”, sendo certo que pretende “caminhar com as pessoas, ver o que elas sentem e as suas necessidades. Primeiro, é preciso conhecer as pessoas”.
Quanto à partilha de responsabilidades com os padres Manuel Ribau Lé e César, o administrador paroquial realça que “felizmente, o espírito arciprestal da Igreja nos permite levar as comunidades a compreender que elas não vivem isoladas”. Destacou o papel de colaboração e entreajuda existente no arciprestado de Ílhavo, como ficou demonstrado nesta celebração em que estiveram presentes párocos e representantes das seis paróquias do arciprestado de Ílhavo.
“Uma circunferência que se fecha”
Na saudação à comunidade que paroquiou durante 51 anos, o Padre Manuel Ribau Lé disse que agora se fecha a circunferência que começou a traçar há 61 anos, quando iniciou a sua vida sacerdotal como pároco coadjutor no Bunheiro.
Manuel Ribau Lopes Lé nasceu na Gafanha da Nazaré, no dia 4 de Agosto de 1922 e foi ordenado no dia 20 de Setembro de 1947.
Os primeiros cinco anos como padre foram passados no Bunheiro, aos quais se seguiram outros cinco no Préstimo e Macieira de Alcoba. Desde 28 de Outubro de 1957, exerceu as funções de pároco da Gafanha da Encarnação.
