À Luz da Palavra – 3º Domingo do Advento – Ano A A liturgia deste domingo lembra-nos que está próxima a libertação que Deus nos quer dar e acende no nosso coração a luz da esperan-ça. A Palavra tranquiliza-nos e convida-nos à alegria, porque esta libertação está mesmo a chegar.
Na primeira leitura, Isaías diz-nos que os sinais da chegada de Deus já se vislumbram e que é Ele, o próprio Senhor, que nos vem salvar. De facto, Deus apareceu no meio do seu povo, na pessoa de seu Filho, Jesus de Nazaré. Meteu-se na nossa história e geografia concreta, revestiu a nossa “carne”, veio viver no meio dos homens e das mulheres. Não enviou emissários, nem ficou nas alturas da sua grandeza e dignidade divina. Ele próprio veio habitar entre nós. É este o grande mistério, iniciado no Natal do Senhor, a grande prova da ternura do amor de Deus para connosco. Acredito nesta presença de Deus em mim e no mundo com toda a esperança? Estou disposto a recebê-lo e a deixar que Ele me liberte?
O evangelho anuncia que o Messias/Senhor já chegou e está actuando no meio do seu povo: “Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres”. Ele chegou, realmente, na sua primeira vinda, segundo a carne, que não se repetirá. Mas, até à sua última vinda, no fim dos tempos, há um paciente tempo de espera. Este tempo não pode ser vazio, mas inten-samente preenchido pela acção dos homens e das mulheres de boa vontade, que, no seguimento da pessoa e da mensagem de Jesus Cristo, devem ir repetindo os sinais da visibilidade da salvação. Apercebemo-nos, no entanto, que aumentam as doenças e os conflitos, e que o mal se vai revestindo das formas mais desumanas e insuspeitas. Será que o Messias salvador está mesmo no meio de nós? Se está, porque é tão difícil reconhecê-lo? Porque somos nós, hoje, que temos de nos responsabilizar pelos “sinais” da presença libertadora de Deus junto dos irmãos e irmãs em situação de necessidade. Não com discursos, mas com acções libertadoras.
Na segunda leitura somos convidados a manter viva a esperança e a lutar contra o desespero, aguardando pacientemente a vinda do Senhor e a sua libertação. Temos dificuldade na visualização dos sinais salvadores, devido à espessura do mal que alastra sempre mais no mundo e à falta de clarividência do nosso olhar na fé. Já assim acontecia na era apostólica, o que motivou esta carta de Tiago: “Esperai com paciência a vinda do Senhor”. E, para melhor compreensão dos seus ouvintes, apresenta-lhes a imagem do agricultor que “espera pacientemente o precioso fruto da terra aguardando a chuva temporã e a tardia”. O Advento é o tempo das interrogações crentes e da conversão do olhar e do agir. Será que eu tenho alguma coisa a ver com a visibilidade da salvação? Enquanto espero pacientemente, o que é que eu faço? Limito-me a censurar o estado do mundo ou ponho mãos ao projecto salvador de Deus, investindo as minhas energias a melhorar o que de mim depende?
Leituras do 3º Domingo do Advento – Ano A: Is 35,1-6a.10; Sl 146 (145); Tg 5,7-10; Mt 11,2-11
Deolinda Serralheiro
