Palavras curtas para tão grande mistério

A Eucaristia no meu coração A Eucaristia é mistério.

A minha razão não a explica, mas o meu coração entende o eterno sempre presente, em cada Eucaristia em que participo.

De qualquer modo, entender não significa, aqui, necessariamente compreender.

No meu caso, e porque se trata de um testemunho que quero deixar, digo-vos que faço um apelo constante ao sentimento.

Sinto-me bem, em comunhão com a Assembleia, sabendo que faço parte de um todo que é a Igreja, não perdendo, contudo, a minha própria identidade, que me faz aproximar, a mim e com certeza a todos os que participam, de Jesus Cristo que, acredito, está ali presente, entre todos nós, não só na comunhão participada, no vinho ou no pão consagrado, mas também em todos os sinais e símbolos que vão expressando a nossa fé, que é inequivocamente a minha fé.

Não me concebo cristão nem católico sem a Eucaristia que, em meu entender, expressa a vontade e a verdade do filho de Deus, transmitida pessoalmente aos homens.

Acredito plenamente na Paixão de Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição, e participar na Eucaristia, para mim, é antes de tudo, participar da última ceia de Jesus, participar de uma realidade que sinto estar a dar-se naquele preciso momento, como se os dois mil anos que me separam do acontecimento fossem um instante sem tempo.

O que sinto, no momento da consagração, está para além das palavras, que são curtas para o descrever. É uma vivência plena e, como sabem, as vivências são pessoais e de difícil explicação.

Creio que, para mim próprio, a explicação só se tornará mais clara quando o meu presente se tornar eterno.

Não o digo desta forma para jogar com as palavras do início. Digo-o porque é minha convicção, ou melhor, é a certeza da Fé que tenho, que me fez acreditar que Jesus Cristo, o Filho de Deus feito Homem, que veio ao Mundo para nos salvar, está presente quando a Eucaristia é celebrada.

“Fazei isto em memória de mim”, disse-o aos apóstolos e di-lo a nós, hoje e sempre, ao indicar-nos com os seus gestos, um caminho de humildade e partilha. Um caminho que eu quero estar cada vez mais apto a percorrer.

Assim, no recolhimento da celebração, nos momentos propícios, certo da Sua presença, aproveito para Lhe pedir o auxílio necessário para que, em cada dia que me é dado viver, eu possa ser cada vez mais fiel aos seus ensinamentos e aos propósitos que sempre faço e que nem sempre cumpro.

Que Deus me ajude a mim, e a todos nós, a viver Cristo, pois Cristo é Vida.

Diácono Reinaldo Barnabé