Cursos de formação sobre práticas culturais Integrada na acção de formação “Práticas culturais: fundamentos e reflexões”, que está a decorrer no Museu da República, em Aveiro, Teresa Albino, investigadora no Centro de Etnologia Ultramarina no Instituto de Investigação Científica e Tropical (de Lisboa), proferiu uma palestra subordinada ao tema “Política cultural e diversidade cultural”, na qual abordou a contribuição dos imigrantes na sociedade portuguesa.
Para esta técnica, licenciada em antropologia e mestre em relações culturais, a sociedade portuguesa “é multicultural” e, desde a década passada, “alterou-se muito com os diferentes fluxos migratórios de gentes de áreas mais tradicionais, como a África, e de novas áreas, como a Europa do Leste e o Brasil”, o que acarretou “modificações significativas na sociedade portuguesa”.
No entanto, “há uma grande dificuldade na sociedade portuguesa em se assumir como tal, com a presença de gente diferente, com quem, de certeza, vai ter ganhos, para já um ganho demográfico”, até porque, como sublinha Teresa Albino, “em Portugal, a taxa de natalidade está a baixar, e necessariamente precisamos destes novos cidadãos para que a sociedade possa ter uma continuidade”.
Por isso, a palestrante diz que “é preciso introduzir novas políticas, novas estratégias, de maneira a nos integrarmos todos na sociedade. Políticas culturais que vão nesse sentido, não de impormos uma cultura mas de democratizarmos a cultura; por isso, defendo o acesso às manifestações culturais de todos, porque desse encontro, de certeza, novas identidades e novos cidadãos vão aparecer”.
Ainda que reconheça a existência de “guetos” na sociedade portuguesa, Teresa Albino afirma que “o que interessa é assumir a riqueza dessa mistura e desse encontro e que nasçam novas identidades que se chamam identidades híbridas, de pessoas que vão construindo a sua identidade, não só com aspectos da sua cultura de origem, como também com aspectos desses contactos e dessa comunicação com os outros”, o que permite também a integração dessas comunidades imigradas na sociedade portuguesa, até porque “a comunicação intercultural é um caminho para a paz, para a tolerância, para a inclusão social e para a coesão social; porque não é de costas voltadas para os outros que nós vamos construir uma sociedade mais tolerante e mais rica, mas sim incluindo e integrando”, rematou a palestrante.
Curso de “Práticas de dinamização da leitura”
Henrique Praça, coordenador da formação na empresa Sete Pés, sublinhou que esta acção de formação que está a decorrer no Museu da República, até ao dia 9 de Novembro, é direccionado a pessoas ligadas à cultura, tanto em autarquias locais como em associações e outras colectividades, ou seja, “pessoas que estão a dinamizar programas culturais em organizações culturais”, tanto da região de Aveiro como de fora, nomeadamente de Coimbra.
Na passada sexta-feira, a empresa iniciou uma outra acção de formação em Aveiro, na Biblioteca Municipal, denominada “Práticas de dinamização da leitura”, curso de formação com trinta e quatro horas de duração, que decorre às sextas-feiras.
A Sete Pés está sediada no Porto, foi fundada há seis anos, dedica-se à elaboração de “projectos culturais, assessoria cultural, projectos educativos, produção, teatro, dança e formação profissional na área da cultura”.
