Palestra sobre futuro da Casa Pia

Catalina Pestana em Ílhavo Catalina Pestana, provedora da Casa Pia, numa palestra proferida em Ílhavo, a convite do clube Rotário ilhavense, afirmou que, “enquanto a Casa Pia tiver a tutelá-la o ministro Bagão Félix, eu continuarei à frente daquela instituição. Nós os dois não permitiremos que um manto de nevoeiro caia sobre a Casa Pia”.

Sobre a actual situação da Casa Pia, a provedora referiu que sabe “infinitamente menos do que sabe o ministério público e a polícia”, mas sabe “mais do que aquilo que quereria saber”. Garantiu que não sabe quem são os responsáveis pela situação, e que só “se saberá quando deixarem falar as testemunhas. E elas querem falar”.

Catalina Pestana é crítica em relação ao actual sistema de ensino em Portugal. Para ela, “as teorias igualistas falharam. Não podemos ter mais do mesmo. Continuamos a defender uma escola igual para todos, mas a escola tem que responder a uma sociedade heterogénea”.

Antigamente, havia escola para elites (liceus) e para «os outros» (escolas industriais e comerciais). Não é esse o ensino que a provedora propõe, mas sim “escolas com alternativas de currículos”, e isso porque “há alunos que aprendem melhor do abstracto para o concreto, e outros do concreto para o abstracto”. Há alunos com mais aptidão para os cursos teóricos, enquanto outros estão vocacionados para os cursos práticos. Cada escola deveria “poder facultar, de acordo com as capacidades dos alunos, currículos teóricos (para os que pretendem continuar o ensino universitário), tecnológicos, práticos, artísticos”.

Segundo um estudo que citou, a escola deve, essencialmente,ensinar a aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver com os outros diferentes. “Infelizmente, em Portugal, a escola só se preocupa em ensinar a conhecer”, disse.

O ensino técnico profissional ministrado na Casa Pia é uma referência de sucesso nacional, já que os alunos finalistas dos cursos tecnológicos conseguem emprego no próprio ano em que terminam os estudos. Actualmente, o mesmo já não acontece com os cursos de “lápis e papel”, que também existem na instituição, que são procurados preferencialmente por aqueles que querem seguir o ensino universitário, e não enveredar pela vida profissional no final do ensino secundário. Esse sucesso é também comprovado pelas “listas de espera”, que todos os anos se formam, dos alunos que pretendem ingressar nos cursos tecnológicos da Casa Pia.

Para o próximo ano lectivo, a Casa Pia e o Ministério da Educação vão desenvolver uma parceria que visa reabrir uma escola secundária na capital (que iria fechar por falta de alunos para o ensino normal) para aí ministrar alguns dos cursos tecnológicos da Casa Pia.