À Luz da Palavra XVIII Domingo do Tempo Comum
Leituras: Ex 16, 2-4.12-15; Sal 77 (78), 3.4bc.23-25.54; Ef 4, 17.20-24; Jo 6, 24-35
Por mais alguns domingos, a liturgia continua a centrar-nos no tema do “pão da vida”. “– Que é isto?”, é a pergunta que fazem os filhos de Israel quando, ao peregrinar pelo deserto, encontram algo que lhes foi enviado por Deus como resposta às suas murmurações, como alimento para as suas necessidades. Anteriormente, o povo estava a queixar-se, porque a vida no deserto, embora em liberdade, parecia mais difícil do que nos tempos do Egipto. Lá, ainda que fossem escravos, tinham alimento. Agora, passam fome. Aparentemente, Deus não é tão bom como parecia…
Na verdade, Deus não deixa de ser o Deus Providente, o Deus que cuida, Aquele que conhece as necessidades do seu povo. E oferece o alimento, a luz, as forças, o entusiasmo, a esperança. Nós, porém, tantas vezes não sabemos reconhecer o que Ele nos está a dar e ficamos à espera de outro alimento. Ou não sabemos ler os seus sinais e pedimos outros, para só então crer e avançar, vivendo em conformidade com o que se crê e com Aquele em quem se crê (cf. Jo 6, 28-30). Talvez o que nos falte seja fazer, com sinceridade, a pergunta dos israelitas: “Que é isto?” (Ex 16, 15), “O que é que isto significa? O que é que Deus me quer dizer através destas circunstâncias? Como posso reconhecê-lo presente nesta realidade?” Ao fazer perguntas como estas diante da Palavra de Deus, estamos a viver com a atitude de verdadeiros discípulos de Jesus: atentos à realidade, despertos para reconhecer os sinais da acção de Deus no meio do mundo e dispostos para colaborar com Ele à luz do que nos faça perceber.
E, para perseverar neste caminho, é bom estarmos atentos a outra dificuldade que pode surgir: não saber encontrar gosto na resposta que vem de Deus. “Que é isto?”, perguntam. E Moisés responde: “É o pão que o Senhor vos dá em alimento” (Ex 16, 15). Sabemos que, mais adiante, o povo de Israel vai queixar-se outra vez e dirá que já estão fartos de comer sempre o mesmo. Se soubéssemos encontrar o sabor da novidade no “pão que vem do céu”, na Eucaristia, na Palavra de Deus, na própria vida de Jesus, passaríamos mais vezes e mais rapidamente das murmurações ao louvor e ao agradecimento: “Nós ouvimos e aprendemos, os nossos pais nos contaram os louvores do Senhor e o seu poder e as maravilhas que Ele realizou. Deu suas ordens às nuvens do alto e abriu as portas do céu; para alimento fez chover o maná” (Sl 77, 3-4.23-24). E nos iríamos habituando à maneira que Deus tem de actuar na história e a nossa vida se iria transformando também em alimento de vida para muitos.
No Evangelho, Jesus diz-nos: “Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu” (Jo 6, 32). O verdadeiro alimento para a vida não é algo do passado, mas é o alimento que nos é oferecido no presente, no hoje de cada domingo – e de cada dia, se queremos: “Respondeu Jesus: Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede” (Jo 6, 35). Que bom se nos pudermos alimentar verdadeiramente daquilo que Deus nos dá! E que desejemos viver segundo a vida d’Aquele que se fez alimento para os que têm fome!
Priscila Cirino, FMVD
