O Papa criticou as uniões conjugais fora do sacramento do matrimónio, a feitiçaria e o tribalismo étnico que ocorrem em Angola e São Tomé e Príncipe, durante a audiência que concedeu no Vaticano a bispos daqueles países, no sábado, concluindo a visita periódica “ad limina”.
Bento XVI afirmou que o primeiro dos “três escolhos” onde “naufraga a vontade de muitos santomenses e angolanos que aderiram a Cristo” é o “chamado «amigamento», que contradiz o plano de Deus para a geração e a família humana”.
“O reduzido número de matrimónios católicos, nas vossas comunidades, indica uma hipoteca que grava sobre a família, cujo valor insubstituível para a estabilidade do edifício social conhecemos”, acentuou o Papa.
Depois de lembrar que a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé “escolheu o matrimónio e a família como prioridades”, Bento XVI vincou que o “amor esponsal” deve ser “único e indissolúvel”, sendo este um “tesouro precioso” que “deve ser salvaguardado, custe o que custar”.
O segundo obstáculo que a Igreja Católica deve resolver é a divisão “entre o cristianismo e as religiões tradicionais africanas” patente nos baptizados: “Aflitos com os problemas da vida, não hesitam em recorrer a práticas incompatíveis com o seguimento de Cristo”.
“Efeito abominável é a marginalização e mesmo o assassinato de crianças e idosos, a que são condenados por falsos ditames de feitiçaria”, denunciou o Papa, que pediu aos prelados para chegarem a um método que conduza à “definitiva erradicação” daquelas práticas, “com a colaboração dos governos e da sociedade civil”.
