Papa critica “relativizações” de Jesus

AGÊNCIA ECCLESIA

No dia de S. Pedro e S. Paulo, Bento XVI manifesta-se contra os que consideram a figura de Cristo como mais um entre os fundadores das grandes religiões

Na Solenidade de S. Pedro e S. Paulo, celebrada na Praça de S. Pedro, no dia 29 de Junho, Bento XVI manifestou-se contra os que relativizam a vida e obra de Jesus, considerando a figura de Cristo como mais um entre os fundadores das grandes religiões ou os sábios da história. O Papa falou sobre a “integridade da fé cristã”, criticando a tendência de comparar Jesus a “Buda, Confúcio, Sócrates e outros sábios e grandes personagens da história”.

“Muitas vezes, Jesus é considerado também como um dos grandes fundadores das religiões, do qual cada um pode tirar qualquer coisa para formar a sua própria convicção”, referiu, lembrando que, como no tempo dos Apóstolos, ainda hoje as pessoas têm várias opiniões sobre Cristo.

Para o Papa, há duas formas de “ver” e “conhecer” Jesus: uma mais superficial, a outra, como os discípulos, “mais penetrante e autêntica”.

“Trata-se de procurar em profundidade, de reconhecer a singularidade da pessoa de Jesus de Nazaré, a sua novidade”, referiu Bento XVI, que já escreveu um livro dedicado a esta temática, publicado este ano, e que em breve terá versão em português.

Ainda partindo do episódio evangélico em que Pedro professa a sua fé em Jesus, o Papa falou da “lógica da cruz”, que considerou um caminho difícil e escandoloso para “os discípulos de todos os tempos”.

“Devemos reconhecer que, mesmo para o crente, a Cruz é sempre difícil de aceitar. O instinto leva-nos a evitá-la e o tentador leva a pensar que é mais prudente preocupar-se em salvar-se a si próprio do que em perder a própria vida por fidelidade ao amor”, indicou.

Segundo Bento XVI, “a integridade da fé cristã é dada pela confissão de Pedro, iluminada pelo ensinamento de Jesus sobre o seu caminho para a glória, isto é, o seu modo absolutamente singular de ser o Messias e o Filho de Deus”.

“Também hoje, como nos tempos de Jesus, não basta possuir a justa confissão de fé: é necessário sempre aprender de novo do Senhor o seu modo próprio de ser o Salvador e o caminho no qual O devemos seguir”, acrescentou.

Como é tradição, encontrava-se presente uma delegação do Patriarcado de Constantinopla, retribuindo idêntica visita que a Igreja de Roma realiza à sede de Istambul em 30 de Novembro, por ocasião da festa de S. André.

O Papa recordou que, no ano passado, ele próprio participou nessa festa ao lado do patriarca Bartolomeu I, como “sinal de busca da plena comunhão”.

Papa anuncia Ano Paulino

Bento XVI anunciou, na tarde de 28 de Junho, a celebração de um “especial ano jubilar” dedicado ao Apóstolo Paulo, por ocasião dos 2000 anos do seu nascimento. O Ano Paulino irá prolongar-se de 28 de Junho de 2008 a 29 de Junho de 2009.

Este anúncio foi sublinhado com uma salva de palmas por parte dos fiéis que estavam presentes na Basílica de São Paulo fora de muros. Bento XVI lembrou que Paulo passou de “violento perseguidor dos cristãos” a Apóstolo de Jesus e por ele “sofreu e morreu”. “Como é actual, hoje, o seu exemplo”, exclamou. O Papa indicou que Roma será um local privilegiado para a celebração deste Ano Paulino, dado que a cidade conserva o túmulo de São Paulo, descoberto na Basílica romana de São Paulo fora de muros.

O nascimento de Paulo é colocado pelos historiadores entre o ano 7 a 10 depois de Cristo.