Bento XVI pede respeito pela liberdade religiosa na China

Carta do Papa sublinha que o «Estado deve garantir aos seus cidadãos católicos o pleno exercício da sua fé»

Bento XVI pede a Pequim “o respeito por uma autêntica liberdade religiosa” e rejeita a ideia de uma Igreja submissa às autoridades chinesas e independente do Vaticano, assim se pode ler na carta escrita a 27 de Maio, Domingo de Pentecostes, mas publicada sábado passado, 30 de Junho, sendo dirigida ao clero e aos católicos da China.

O Papa declara-se “aberto a negociações” com o governo chinês, mas sublinha que será necessário “tempo e boa vontade das duas partes”, para chegar a “uma normalização das relações” entre Estados.

Na Carta muito esperada, Bento XVI assegura que a Igreja “convida os fiéis a ser bons cidadãos, colaboradores responsáveis e activos a favor do bem comum do seu país”. Mas “é também claro ser obrigação do Estado garantir aos seus cidadãos católicos o pleno exercício da sua fé, no respeito de uma autêntica liberdade religiosa”.

Pelo texto, o Papa expressa a sua apreciação pelo sofrimento que os católicos chineses passam, debaixo do comunismo. Ele afirma que a sua devoção à fé e a sua lealdade ao papa “será recompensada, mesmo que tudo possa parecer sem sentido”.

Apesar de a Igreja na China gozar hoje de uma maior liberdade religiosa, o Papa afirma que “não pode ser negado que grandes limitações continuam a persistir, e que em certa medida, sufocam a actividade pastoral”.

O Papa critica a interferência do governo chinês em várias áreas da actividade da Igreja e afirma que a sua insistência em registar comunidades e as declarar “oficiais” tem dividido a igreja e tem levantado suspeitas, acusações mútuas e recriminações.

No entanto, Bento XVI abre a porta aos registos governamentais acerca dos bispos e das comunidades católicas, dizendo que é aceitável, desde que não comprometa os princípios comuns da fé e da Igreja.

Liberdade de nomear bispos

Bento XVI pede também a Pequim a liberdade de nomear os bispos e sublinha a ideia de que “uma Igreja independente” do Vaticano “é incompatível com a doutrina católica”. Isto, assegura, provoca a todos os católicos chineses divisões entre uma Igreja clandestina, fiel ao Vaticano, e uma Igreja oficial, “próximas na fraternidade”; e apela à “unidade” e à “reconciliação” sob a sua autoridade.

O Papa realça ainda que a Igreja não se identifica com nenhum sistema político. Nem é sua missão “alterar a estrutura administrativa do Estado”, afirma. Não procura privilégios especiais na China, nem entre os seus líderes, mas “procura o diálogo”.

Estima-se que existam entre 8 a 12 milhões de católicos na China, numa população de 1,3 mil milhões. A Santa Sé e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951.