Papa deixa mensagem ao G8

ECCLESIA/CV

Bento XVI defendeu este Domingo que o G-8 tem de mostrar coragem na luta contra a pobreza, a fome, os aumentos da energia e dos alimentos. O Papa falava em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, em vésperas da abertura da cimeira do grupo dos sete países mais industrializados e da Rússia, que irá decorrer no Japão.

Após a recitação do Angelus, o Papa referiu as “numerosas vozes” que se elevaram, nestes dias (nomeadamente das Conferências Episcopais dos países ali representados), para pedir que “se concretizem os compromissos assumidos nos anteriores encontros do G8 e se adoptem corajosamente todas as medidas necessárias para vencer os flagelos da pobreza extrema, da fome, das doenças, do analfabetismo, que afectam ainda grande parte da humanidade”.

“Uno-me também eu a este premente apelo à solidariedade! Dirijo-me pois aos participantes no encontro de Hokkarido-Toyako, para que coloquem no centro das suas deliberações as necessidades das populações mais débeis e mais pobres, cuja vulnerabilidade se acentua hoje em dia devido às especulações e às turbulências financeiras, com os seus efeitos perversos sobre os preços da alimentação e da energia”, disse.

“Faço votos de que generosidade e abertura de vistas ajudem a tomar decisões visando relançar um processo de desenvolvimento integral e equitativo, que salvaguarde a dignidade humana”, acrescentou.

A reunião anual do G8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) começou no dia 7 e termina hoje, 9 de Julho, no Japão.

Crianças chinesas cantam ao Papa

Bento XVI contou com a presença, no pátio interior do Palácio de Castel Gandolfo, de um grupo de crianças chinesas, que entoaram um canto em honra do Papa: “A vossa presença permite-me enviar votos de paz e de alegria a todos os outros meninos da China e do mundo”.

“Amor, concórdia, harmonia e solidariedade são os valores que quereis promover na China e nos outros países do mundo. As crianças representam o futuro da família humana e são, portanto, chamados a título pleno a construir um mundo mais belo e mais humano”, afirmou.

Bispos dos países mais ricos apontam falta de compromisso no combate à pobreza

Os Bispos católicos dos países do G8 querem pressionar os seus dirigentes a comprometerem-se no combate à pobreza e a fazerem face às consequências das alterações climáticas.

Numa carta datada de 19 de Junho, os Bispos relembram que em 2005, os países ricos acordaram a doação de 50 mil milhões de dólares por ano (quatro vezes o PIB português) para a ajuda ao desenvolvimento até 2010, sendo que metade da quantia se destinava a África.

“Este compromisso deve ser respeitado e outros devem ser iniciados nas áreas da saúde, educação e assistência humanitária”, referem.

Os Bispos sublinham também que os pobres, cujas actividades têm um pequeno impacto nas alterações climáticas, “estão a suportar desproporcionalmente os efeitos negativos das actividades dos países ricos, entre riscos de conflitos, aumento do preço de energia e problemas de saúde”.

Na carta é recordado o apelo que Bento XVI fez a 18 de Abril, na sede das Nações Unidas, para uma “acção colectiva em questões como a segurança, os objectivos de desenvolvimento, a redução das desigualdades, a protecção do ambiente, dos recursos e do clima”.

Os signatários da carta, todos presidentes das Conferências Epicopais, são D. Vernon James Weisberger, do Canadá; D. André Vingt-Trois, da França; D. Robert Zollitsch, da Alemanha; D. Angelo Bagnasco, de Itália; D. Peter Takeo Okada, do Japão; D. Joseph Werth, da Rússia; D. Keith Patrick O’Brien, da Escócia; D. Cormac Murphy O’Connor, da Grã Bretanha e D. Francis George, dos Estados Unidos da América.