Papa lança desafio à unidade dos cristãos

Que a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos seja ocasião propícia para um abraço fraterno

No domingo, o Papa João Paulo II lançou mais uma vez um grande desafio à unidade dos cristãos, separados há séculos pelo orgulho de alguns e por contingências históricas. Recordando o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, “Eu Vos dou a Minha Paz”, retirada de S. João, o Papa sublinhou, na oração do “Angelus”, que o mundo está sedento de paz e que “é urgente que as comunidades cristãs anunciem o Evangelho de maneira vigorosa. É indispensável que testemunhem o amor divino que os une e que levem alegria, esperança e paz, convertendo-se em fermento de nova humanidade”.

“Desejo de coração que esta Semana de Oração produza abundantes frutos para a causa da unidade dos cristãos. Que seja uma ocasião propícia para que quem crê em Cristo troque um abraço fraterno, na paz de Senhor”, sublinhou o Papa, ao dirigir-se aos fiéis que o escutaram no Vaticano.

O tema para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foi proposto pelas Igrejas do Médio Oriente, onde a unidade e a paz são as prioridades mais sentidas, mas não deixa de ser uma excelente oportunidade para todos nós reflectirmos sobre o que há mais de dois mil anos foi dito e que S. João pôs em comum. “Se alguém Me ama – recordou Jesus – observará a Minha Palavra e o Meu Pai o amará; Nós viremos a ele e estabeleceremos a Nossa morada. Aquele que não Me ama, não observa as Minhas palavras.” Ora a Palavra do Senhor, que só inspira o amor, não pode ser causa de divisões e de tensões entre os que O aceitam e comungam.

Ainda durante a oração do “Angelus”, o Papa manifestou o desejo de que durante esta Semana os cristãos das diferentes confissões e tradições se reúnam para “pedir intensamente ao Senhor que reforce o compromisso comum por uma plena unidade”, sem se esquecerem das promessas de Cristo contidas no Evangelho e dos compromissos que elas comportam.

No sábado, no “concerto da reconciliação”, o Santo Padre, dirigindo-se aos cristãos, judeus e muçulmanos presentes, recordou as luzes e sombras que marcaram as relações entre todos, para logo a seguir afirmar que se sente a “grande necessidade de uma reconciliação sincera entre os crentes no único Deus”.

Durante esta Semana da Unidade, estamos convictos de que um pouco por todo o mundo, inclusive Portugal, haverá quem viva de coração aberto a procura da unidade dos crentes, cada vez com mais convicção. Mas os caminhos da unidade não têm sido fáceis, embora tenham começado há muito tempo, em 1908, por proposta do pastor protestante Tomas Watson, natural dos EUA, que pouco depois se converteu à Igreja Católica, com muitos dos seus seguidores.

Antes, porém, o Papa Leão XIII, em 1895, aquando da solenidade de Pentecostes, já havia pedido aos católicos orações especiais pela unidade dos cristãos. E dois anos depois, através de uma encíclica, dispôs que fossem consagrados a esta finalidade os nove dias entre a Ascensão do Senhor e o Pentecostes, rezando-se em todas as igrejas paroquiais.

Desde então, e até aos nossos dias, pensamos que houve sempre a preocupação de pedir ao Senhor o dom da unidade de todos quantos n’Ele acreditam e O aceitam como único Salvador. No entanto, estamos em crer que o empenhamento de todos os cristãos não terá sido suficientemente forte para que a unidade se torne numa realidade visível, embora sejam muito significativos alguns passos dados nos últimos tempos.