Para inventariar e divulgar o seu património

Misericórdia candidatou projecto ao POC “A arte na Misericórdia – inventariar e divulgar” é um projecto que a Santa Casa da Misericórdia de Aveiro candidatou ao Programa Operacional da Cultura, com o objectivo de permitir “a utilização das novas tecnologias da informação para o acesso à cultura”.

Patrícia Sarrico, mesária e responsável pelo Gabinete de Conservação e Restauro e pelo Núcleo Museológico da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, sublinha que, após essa inventariação, irá “haver a disponibilização dessa informação numa website, para que toda a gente possa ter acesso a essa inventariação”. A divulgação não se limitará só ao website; será feita também “através de um cd-rom, de uma exposição temporária e de um catálogo resultante da inventariação das peças”.

Com este projecto, cujo prazo de execução é de dois anos, a Misericórdia aveirense pretende inventariar o “património móvel e os imóveis mais significativos”. Para tal, a candidatura “contempla o recrutamento de mais recursos humanos”, apesar de, na instituição, estar a trabalhar “uma técnica superior de conservação e restauro e uma pessoa da área das belas artes a fazer um estágio profissional”.

No projecto de candidatura está incluído o Arquivo Documental Histórico, o qual tem merecido uma atenção especial da Misericórdia de Aveiro, como realça Patrícia Sarrico ao revelar que “estiveram cá técnicos da Torre do Tombo, com quem temos um protocolo, para nos auxiliarem nessa área. O Arquivo Documental Histórico está também contemplado no projecto que candidatamos”.

Inventário do general João de Almeida

No acervo da Misericórdia aveirense, está um vasto espólio histórico e documental que pertenceu ao general João de Almeida, que viveu na Casa do Seixal, imóvel brasonado pertencente à Misericórdia de Aveiro. Deste espólio há a destacar a vasta colecção cartográfica constituída por 707 cartas e mapas, de Portugal, das ex-colónias e do mundo, datadas entre 1840 e 1960, e a colecção de zincogravuras, com 1484 peças, usadas para ilustrar os livros que editou, entre 1912 e 1948.

As zincogravuras “retratam a estadia do general em África, e formam um vasto registo etnográfico do sul de Angola e de Cabo Verde”, e as que “retratam os estudos topográficos de todos os edifícios militares existentes em Portugal, nessa época. Todo este espólio também está incluído no projecto candidatado ao Programa Operacional da Cultura, refere a responsável pelo Gabinete de Conservação e Restauro.

Neste momento, todas essas zincogravuras “já estão inventariadas e tratadas”. O filho do general João de Almeida esteve recentemente na Misericórdia de Aveiro, tendo ficado bastante satisfeito com a boa preservação do espólio do pai, “tendo-nos legado mais algumas peças”, revelou Patrícia Sarrico.