Para que a formação corresponda às necessidades dos formandos

Aveiro Digital – Área de Intervenção 7 (Tecido Produtivo) – Projecto Galileu-Diag Gonçalo Fonseca, da Activos e Recursos, Consultoria Informática Unipessoal Lda., aborda o “Projecto Galileu-Diag” – Serviços de Diagnóstico e de Gestão de Formação de Activos e Recursos

Qual é o objectivo deste projecto?

O objectivo é organizar a informação que nós recolhemos nas entidades e empresas com quem trabalhamos na perspectiva de poder fazer um plano de formação ou consultoria que esteja adequado ao nível de conhecimento das pessoas, para que as pessoas não estejam deslocadas, ou porque já sabem o que estamos a ministrar ou porque não têm os pré-requisitos necessários. É uma forma de tentar organizar a informação, dar mais cientificidade ao nosso trabalho, na área do diagnóstico, para prestarmos um serviço mais profissional.

Em termos práticos, estamos a falar de um “software”.

Sim, uma aplicação informática que vai funcionar através da web, que evita deslocações. Através de uma password, uma pessoa tem acesso a um conjunto de questionários, que depois de respondidos são misturados pelo próprio motor da aplicação e nos darão resultados que apontarão para estratégias em termos de planos de formação ou de consultoria. Conforme as carências das pessoas em determinadas áreas, assim a solução para adquirirem os conhecimentos.

O que é que este projecto traz de novo?

Aquilo que hoje fazemos de forma artesanal, isto é, análise a partir de questionário, será feita por “standards” de critérios que serão sempre os mesmos e que misturam a parte de diagnóstico com a parte de soluções que queremos apresentar. À partida, sempre que o resultado for o mesmo a solução será a mesma. Até aqui não era, porque dependia muito da pessoa que analisava. Haverá mais rapidez e maior grau de certeza em relação às necessidades de quem trabalha connosco.

Este projecto está orçado em quanto?

50 000 euros.

Ao longo do seu desenvolvimento essa verba tem correspondido às necessidades?

O valor do projecto era maior. E neste momento estamos com alguma dificuldade, mas vamos cumprir. Dentro de um mês ou dois, estamos no início da conclusão do projecto. Se houver espaço para pedir um acréscimo, faremos. Mas se não der, vamos assumir. 50 % do valor é assumido pela nossa empresa. Na pior das hipóteses, poderá haver um desvio de 5 ou 10 % do projecto.

Quando é que o projecto começou a ser desenvolvido?

Em Novembro do ano passado. Queremos que esteja pronto em Agosto deste ano, para a fase de implementação e testes em Setembro/Outubro. Queremos que, em Novembro, quando tiver 12 meses, já esteja em funcionamento.

Vão testá-lo com os vossos clientes?

Temos três parceiros que convidámos e aceitaram trabalhar connosco nessa fase da implementação: a Vulcano, a CACIA e o IPAM. Vão estar na fase do teste da aplicação e em cenário real, em que vamos fazer, com um universo definido e mais pequeno, um teste já com um conjunto de questionários e em situação de necessidades das entidades, para perceber se tudo está a funcionar bem e termos mês a mês e meio para corrigir eventuais erros.

Ao longo do desenvolvimento deste projecto, quais foram as principais dificuldades?

O mais complicado foi perspectivar à partida todas as implicações do que se está a fazer, ou seja, a definição do modelo de dados. Usando uma metáfora, se construímos uma casa com quatro paredes e sem janelas, se amanhã queremos luz natural, temos de mandar abaixo. Com as aplicações acontece que temos de voltar muito atrás ou até fazer de início. Demoramos cerca de dois meses a pensar tudo isto, a ver as implicações. Só depois de estar no papel o tal modelo de dados é que começámos a fazer. Como já fazemos artesanalmente este trabalho e temos uma pessoa que tem muita experiência na área da programação, tínhamos alguma lógica interna que nos permitiu ultrapassar os problemas normais que estas coisas têm.

A empresa iria desenvolver este projecto sem o apoio do programa Aveiro Digital?

Sim. Mas não o desenvolveríamos já, ou demoraria muito mais tempo. Em vez de o planearmos para um ano, planeávamos para dois ou três anos. A questão é que isto é um “apport” muito grande para o nosso trabalho. Fazer um bom diagnóstico é meio caminho andado para o sucesso. Evita que, na avaliação da participação dos formandos, se chegue à conclusão de que as pessoas estavam lá deslocadas, por variadíssimos motivos. Isto vai permitir dar um salto qualitativo e trabalhar mais rápido.

Estão a pensar vender este software?

Não podemos. Faz parte das regras, porque é um projecto financiado. Mas poderá haver entre os parceiros do projecto alguma partilha e, eventualmente, poderemos fazê-lo com outras empresas e entidades do programa Aveiro Digital.