Para regressar à experiência que desencadeou tudo

Livro Jesus. Uma abordagem histórica

José António Pagola

Gráfica de Coimbra 2

552 páginas

Uma explicação ao meu livro «Jesus. Uma abordagem histórica». Suplemento

José António Pagola

Gráfica de Coimbra 2

64 páginas

Obra originalmente publicada em 2007, em Espanha, “Jesus. Uma abordagem histórica”, do padre basco José António Pagola, surgiu em 2008 em português, na Gráfica de Coimbra, com uma particularidade: não poder ser vendida sem um suplemento de 64 páginas. P.e Valetim Marques, explica no suplemento que a edição portuguesa já estava pronta quando de Espanha lhe pediram que incluísse os acrescentos que o autor fez à nona edição espanhola. Os acrescentos dizem respeito a aspectos pouco esclarecidos sobre Jesus que “tinham suscitado dúvidas e até críticas de alguns sectores mais (e outros menos) familiarizados com o conteúdo deste livro”, disse o editor de Coimbra.

Tratando-se de uma obra com mais de 500 páginas, no volume principal, vinda de quem já publicou cinco livros exclusivamente sobre Jesus de Nazaré e dedicou mais de sete anos a este livro, estamos perante uma obra de referência sobre a figura central do cristianismo. Dela podemos esperar rigor histórico e profundidade nas abordagens. Os títulos dos capítulos são praticamente títulos cristológicos: “Judeu da Galileia”, “Um homem que buscava a deus”, “Profeta do Reino de Deus”, “Poeta da compaixão”, “Curados da vida”, “Amigo da mulher”, “Crente fiel”, “Conflituoso e perigoso”, “Ressuscitado por Deus”…

Não é, certamente, uma obra de espiritualidade, mas antes de compreensão histórica e teológica de Jesus. Ou seja, uma boa base para uma espiritualidade encarnada. Na página 20 do suplemento, o autor diz em quem pensou ao escrever o livro. Mesmo sem conhecermos o autor, dificilmente não nos sentiremos envolvidos em algumas das suas afirmações. “Pensei nos cristãos e cristãs de mais de perto. Sei como a sua fé se inflamaria e como gostariam de ser crentes se conhecessem melhor a Jesus. Bastantes deles, mulheres e homens bons, vivem epidermicamente a sua fé, alimentando-se de um cristianismo convencional. Andam à procura de segurança religiosa em crenças e devoções que encontram à mão, mas não vivem uma relação alegre com Jesus Cristo. Ouviram falar dele desde crianças, mas o que dele sabem não chega para os enamorar. A sua vida haveria de se transformar se se encontrassem pessoalmente com Jesus. Conheço bem tentação de viver correctamente dentro da Igreja sem nos preocuparmos com a única coisa que fez correr Jesus: o reinado de Deus e a sua justiça. É preciso voltar às origens, aquela primeira experiência que desencadeou tudo”.