Ocorre, esta semana, o primeiro aniversário da nomeação de D. António Francisco para Bispo de Aveiro. É demasiado cedo para se fazerem avaliações, até porque o trabalho de pastor não é um mecanismo de transformação, com produto acabado de imediato. Muitas vezes, é um que semeia, outro que trata e ainda outro que colhe. E, neste caso, só Deus poderá apreciar devidamente a colheita.
Há, todavia, algumas notas que vão delineando o perfil do Pastor. Apresentando-se à Diocese como despojado, movido pelo único desejo de escutar o Senhor, anunciar a Sua Palavra, testemunhar o Seu amor, servir como Ele, para prosseguir a construção de uma Igreja que seja serva à maneira do Mestre, marca decisivamente um estilo discreto e próximo, bem notório na actividade pastoral e na execução das pesadas responsabilidades nacionais que lhe têm sido cometidas.
Muito mais no recolhimento do seu quarto e no silêncio da noite do que sob os holofotes das televisões ou os flashes dos jornalistas, o resultado dos seus trabalhos e reflexões, os documentos necessários têm surgido sem alarmes.
A multiplicação de encontros, para ouvir e conhecer pessoas e instituições, vai-lhe moldando uma alma de pastor rapidamente apta a dialogar com conhecimento de causa, com uma visão cada vez abrangente e sólida de uma Diocese com muitas coisas boas, como também com défices notórios. “Quero estar junto de vós com a bondade de pai e servir-vos com a humildade de irmão” – afirmou na sua primeira saudação. E sentimos que assim tem sido.
Nessa primeira saudação à Diocese sobressaía também a alegria profunda e a esperança inabalável que o possuem. Bem necessárias em tempos de carestia de sacerdotes, de magros recursos materiais, de sempre e cada vez mais complexos desafios surgidos da civilização actual. E tem sido uma constante das suas intervenções este tom de optimismo e de motivação esperançosa.
Estamos a começar! A convicção com que vive o seu lema “in manus tuas”, a segurança que lhe dá Aquele a Quem se entrega, galvanizá-lo-á na ousadia de se “fazer ao largo”, para ser nas nossas terras “distribuidor generoso do Pão, servo fiel da esperança, semeador da santidade, profeta da justiça, apóstolo da bondade e promotor da civilização do amor e da bondade, da beleza e da paz”.
