Questões Sociais 1. Os grandes meios de comunicação social (GMCS) funcionam, há muito, como um verdadeiro partido político, embora informal e di-fuso. Existem naturalmente excepções, vozes isoladas. No entanto, o partido resiste e até se reforça.
As figuras ambíguas dos comentadores, dos entrevistados, das fontes não identificadas e “geralmente bem informadas” consolidam a coesão partidária, mesmo quando introduzem alguma diversidade. A presença de professores universitários e de investigadores actua no mesmo sentido. Só não transmite a imagem de partidarização da instituição universitária e da actividade científica porque uma parte da opinião pública vive na órbita dos GMCS, e a outra sabe que os comentadores universitários e cientistas “partidarizados” não representam as “comunidades” universitária e científica.
2. Antes de Abril de 1974, o partido dos GMCS coincidia, em larga medida, com o próprio regime. Fazia o jogo da organização política oficial — a União Nacional, substituída depois pela Acção Nacional Popular. Segundo a ideologia dos GMCS da altura: o regime não podia ser contestado; os discursos oficiais, sobretudo os do “Presidente do Conselho de Ministros”, eram reproduzidos com a maior fidelidade possível e, não raro, transcritos na íntegra; tais discursos e as posições oficiais eram objecto de claros elogios, expressos ou tácitos; os opositores eram mais ou menos ostracizados e condenados, como agentes subversivos, comunistas ou não, através de processos impregnados de maniqueísmo inquisitorial…
3. Com o 25 de Abril de 1974, deu-se uma reviravolta de 180 graus. O maniqueísmo inquisitorail passou a condenar, como fascistas e reaccionárias, as pessoas que, real ou supostamente, se “identificavam” com o regime anterior. A ideologia adoptada pelos GMCS foi a do processo revolucionário permanente, em ordem à construção do socialismo. A aliança dos GMCS com os partidos considerados vanguardistas foi notória e decisiva.
Os anos subsequentes a 1975 corresponderam a um período conturbado de tentativa de construção do pluralismo jornalístico. Não é fácil delimitar esse período no tempo; contudo, o esforço realizado foi real e notável (à esquerda, ao centro e à direita), embora os resultados não tenham sido animadores.
(Continua)
