Revisitar o Sínodo Após este interregno, voltamos ao II Sínodo Diocesano de Aveiro, na busca de inspiração para os traços de prioridades pastorais no Ano Pastoral que iniciamos. Fazemo-lo com a preocupação de não nos atordoarmos com o sufoco de mais uma carga de iniciativas a levar a cabo.
A conversa com alguém experimentado na pastoral abriu caminho à reflexão de hoje. E bastam duas breves citações das decisões sinodais, para o que pretendemos hoje.
A primeira: “A caridade é a expressão teológica do amor cristão. Só possuído por ela se pode viver uma relação libertadora e exaltante com as pessoas, de quem todos somos irmãos e servos”…
É isso! O primeiro grande trabalho deste ano pastoral deveria ser a consciencialização progressiva e prática de que, seja qual for o serviço que façamos na Igreja, do Ministério ordenado à Liturgia e à Catequese, da Administração ao Serviço Social, tudo é um exercício da Caridade, a reclamar que o façamos com toda a dedicação e humildade, na procura de dar e receber sem qualquer reserva, no voluntariado mais gratuito possível, com a dedicação exímia a cada um naquilo que é, como expressão da entrega do Senhor por nós.
Este é um amplo campo de formação e exercício pastoral, que dará uma volta ao tecido de relações na Igreja, entre pessoas e grupos. Não é inutilidade, não senhor! Façamos um sério exame de consciência e vejamos se não temos muito a corrigir no modo como ocupamos e realizamos serviços ou ministérios, no modo como acolhemos e respeitamos aqueles a quem dirigimos a nossa entrega e aqueles que fazem outras entregas na mesma Comunidade…
Depois, para aqueles que trabalham no campo específico da pastoral social: “Formar agentes pastorais com capacidade para realizar a pastoral da caridade nas suas diversas dimensões”… Isso, sim, é outra coisa, que toca a alguns em particular. Não se trata de formar profissionais de assistência social, nem sequer de capacitar tecnicamente os funcionários das instituições da Igreja nessa área. Trata-se, antes, de capacitar cristãos com dons adequados, para aprofundarem a sua análise social e, à luz da Doutrina Social da Igreja, desenharem respostas eficientes, por via ou não de instituições oficializadas. Há grupos e movimentos, paroquiais ou não, de voluntários que têm dado provas históricas dessa capacidade, não apenas de correr o risco da “denúncia de todas as situações injustas e ofensivas da dignidade humana, fruto dos pecados sociais”, mas com propostas alternativas de “anúncio”.
Sem megalomanias, temos muitas possibi-lidades de fazer muito, a partir de pequenas coisas, a começar por casa, com visíveis efeitos de saúde espiritual e social para o tecido humano das nossas comunidades.
Q.S.
