Diminuem os imigrantes e aumentam os emigrantes. Pastoral das migrações continua a ser fundamental, mas há poucos meios humanos e materiais, dizem os responsáveis diocesanos, reunidos em Albergaria.
“Recomendamos que a Igreja em Portugal, na linha do repensar juntos a Pastoral, tenha em conta a Pastoral da Mobilidade, por esta ser uma realidade incontornável que caracteriza o nosso tempo, e, por isso, deve continuar a ser objecto privilegiado da sua solicitude pastoral”, afirmam os Secretariados Diocesanos de Migrações e Capelanias de Imigrantes, reunidos de 4 a 8 de Julho na Casa Diocesana, em Albergaria-a-Velha, no encontro nacional, que teve como tema “Migrações. Presente e Futuro”.
Os responsáveis consideram que a realidade das migrações em Portugal mudou muito rapidamente nos últimos tempos. “A imigração praticamente estagnou e muitos imigrantes regressaram ou estão a regressar aos países de origem ou a partir para outros países de acolhimento; porém, são muitos os que ainda permanecem e continuarão entre nós. Por outro lado, a emigração portuguesa cresce rapidamente, mas em moldes diversos do passado, o que manifesta que a pastoral das migrações, neste contexto, continua a ser de importância fundamental”, afirmam nas conclusões.
Se reconhecem que em Portugal não há “manifestações significativas de xenofobia e racismo, a não ser em relação a uma minoria étnica, os ciganos, que não se incluem no fenómeno migratório”, recomendam, contudo, “uma permanente atenção às manifestações de racismo e xenofobia que promovem a exclusão e marginalização das suas vítimas”, até porque são crime punido por lei.
No documento das conclusões do encontro presidido por D. António Vitalino Dantas, Bispo de Beja e presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, em final de mandato, refere-se ainda que “a maioria dos Secretariados Diocesanos luta com falta de meios humanos e materiais que lhes permitam desenvolver o trabalho de qualidade que a dignidade dos migrantes merece”, ao mesmo que tempo que se reconhece a importância do voluntariado. Pede-se também que o ofertório que encerra a Semana Nacional das Migrações, em Agosto, seja efectivamente distribuído pelas dioceses, como está estabelecido pelos bispos portugueses.
Porque em 2012 se comemoram os 50 anos da Obra Católica Portuguesa de Migrações, foi sugerido no encontro, mas não passou para as conclusões, que a Conferência Episcopal Portuguesa elebore um documento sobre a mobilidade humana.
