Com a defesa da tese “Participação e Comunidade Política”, o Pe Georgino Rocha concluiu, no passado dia 11 de Novembro, em Madrid, na Faculdade de Ciências Políticas e Sociais Leão XIII, o mestrado em Doutrina Social da Igreja (DSI).
O trabalho agora concluído com a nota máxima incide na realidade portuguesa, com alguns olhares no que se passa na Europa. Numa primeira parte, o autor analisa a Constituição da República Portuguesa, seguindo os constitucionalistas Vital Moreira, Gomes Canotilho, Jorge Miranda e Rui Medeiros. Depois, constata o questionamento do papel do Estado, patente na discussões correntes sobre o “Estado Social” ou “Estado Mínimo”, analisa a responsabilidade da sociedade na participação dos cidadãos (“da apatia ao compromisso”), e sublinha o contributo do pensamento social católico para uma participação mais positiva dos cidadãos, “sejam cristãos ou não”.
Na última parte deste trabalho de 150 páginas, Georgino Rocha define o conceito de participação, fundamenta-o teologicamente em dois sentidos (por um lado, a huma-nidade é convidada a participar da natureza divina, por outro, Deus, através do seu Filho, participa da natureza humana), para notar, então, que existe um “défice de participação”, quer na sociedade, quer na Igreja. Há, contudo, novas formas de intervenção, como sejam o voluntariado, os movimentos que têm por base e motor a Internet (“web cidadania”), ou os movimentos cívicos à margem dos partidos. Inserem-se nesta última categoria o movimento saído dos apoiantes de Manuel Alegre e o concelho de cidadãos da cidade de Coimbra – dois dos exemplos referidos na tese.
A emergência de novos meios e estilos de participação encerra o trabalho. Pe Gerogino Rocha defende que a participação não está em crise – o que de alguma forma se constata na movimentação dos cidadãos para causas como o combate aos incêndios ou o auxílio às vítimas do tsunami. O que aconteceu foi que os estímulos, condições e modos de participação mudaram.
Orientou a tese de mestrado Maria Teresa Compte Grau, professora de Ciências Políticas na Universidade Pontifícia de Comillas.
Apesar do elevado interesse social deste trabalho, o autor não tem intenções de publicá-lo – contra o incentivo dos examinadores –, mas espera “ir publicando alguns artigos, consoante a oportunidade dos assuntos”, conforme revelou ao “Correio do Vouga”.
Pe Georgino Rocha, que nos últimos tempos tem dedicado parte das suas energias à DSI e é assistente da Comissão Diocesana Justiça e Paz, havia já concluído o doutora-mento em Teologia Pastoral, em 1990, com a tese “Acção Pastoral da Diocese de Aveiro 1962/63 – 1987/88”.
J.P.F.
