Francisco Cravo e Maria Perpétua Santos são os primeiros a concluir a Licenciatura em Ciências Religiosas do ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro). Receberam o seu diploma na sessão solene do dia 11 de Novembro. Na última etapa para “obter o canudo”, tiveram de elaborar a tese de licenciatura. O Correio do Vouga conversou com estes dois “pioneiros” sobre esse trabalho.
Francisco Cravo, 52 anos, é casado e tem dois filhos. Diácono permanente em Recardães, o recém-licenciado é professor de EMRC e pastoralista no Colégio de Mogofores. Tese: “A Educação Sexual no 3º Ciclo do Ensino Básico”.
Francisco Cravo considera que, no ensino, “há alguma informação científica sobre a sexualidade” mas pouca formação sobre os valores que ajudam a viver a dimensão sentimental e sexual de um modo pleno. “Pelo contrário, o pouco que se tem feito, por vezes é desestabilizador” para o adolescente, “quando se fica apenas pela informação”. “Há informação em termos científicos e técnicos, mas com pouca substância moral. No entanto, é bom que o educando conheça o outro lado”, acrescenta.
Reconhecendo que o trabalho desenvolvido é útil para as funções que desempenha, e que passam também pela pastoral juvenil no arciprestado de Águeda, Francisco Cravo confessa que gostaria de ter desenvolvido a tese noutra área e lança algumas questões: “Onde podemos encontrar Deus? Como falar de Deus aos adolescentes e jovens? Podemos apresentar provas metafísicas ou falar das “5 vias”, como São Tomás?” “Os jovens têm essa sede, mas sentimo-nos limitados para identificar caminhos”, afirma o diácono permanente. E acrescenta: “É matéria para estudar mais. Penso fazer isso.”
Maria Perpétua Santos, 45 anos, é religiosa das Servas de N.ª Sr.ª de Fátima. Vive na Guarda, onde colabora com o Secretariado Diocesano da Catequese de Infância e Adolescência e com duas paróquias. Tese: “A Educação à Oração no Acto Catequético”.
“Educar para a oração é muito difícil”, porque “as crianças que encontramos na catequese são as mesmas das famílias, ATL e escolas. Andam super-ocupadas com 1001 tarefas, das aulas à música e ao karaté, e, quando chegam à catequese, têm vontade de tudo menos de ouvir falar de Jesus”, afirma a Ir. Maria Perpétua. No seu trabalho, mais do que propor um método infalível que leve à prática da oração, exprime um desejo. “Sonho com crianças felizes, que tenham vontade de conhecer Jesus, e com famílias empenhadas na educação humana e cristã dos filhos”, afirma.
Além do alheamento de muitas famílias em relação à missão catequética, mesmo que mandem os seus filhos, por vezes apenas com a finalidade de “fazer as festas”, Maria Perpétua nota um outro problema, no interior da própria catequese: “Há catequistas que não vivem a fé. É grave, mas é verdade”. Intui-se a pergunta: Como poderá valorizar-se a oração, se os próprios catequistas não a praticam? Está mais do que justificado o que se segue à licenciatura: “Tenho como projectos a renovação da catequese onde trabalho e a formação de catequistas.”
