A peregrinação que se propuseram fazer é, no mínimo, original, para além de ser, a um tempo, muito exigente e provocante. Assim me apareceram dois peregrinos de Fátima, ao fim da tarde de um dia destes. Verdadeira prova de sobriedade e despojamento, de confiança e de abandono total nas mãos de Deus.
Dois jovens, já com percursos humanos com perspectivas de sucesso, em fase de discernimento e consolidação vocacional, fazem destes dias um exercício de total pobreza evangélica: estão dependentes da bondade que encontrarem no caminho, para se alimentarem e para repousarem!
Imagine, quem já ganhou o seu dinheiro, arriscar um percurso de dez dias sem um cêntimo no bolso, obrigando-se, como mendigo evangélico, a pedir um prato de sopa, as sobras de uma refeição, um copo de água, uma peça de fruta… E um telheiro para se abrigarem durante a noite!
Rezando nos seus passos, evangelizando nos seus diálogos e com o seu desprendimento, interpelando com a sua humildade e confiança, provocando com a sua determinação em viver esta prova em pleno, eles aí vão ao encontro da quietude do Santuário. A sua experiência despertou-me curiosidade e deixou estupefactos os que tiveram oportunidade de os conhecerem e participarem com eles na Eucaristia, à qual deram também o seu contributo de animação.
Assim, a peregrinação é mesmo uma prova: uma prova de confiança, antes de mais em si mesmos, na sua coragem, ousadia e humildade; depois, nos outros, na realidade da bondade, existente, por vezes onde menos aparece com visibilidade; em última instância, na Providência divina, da Qual sabemos que procede todo o bem e Que acreditamos amar a cada um de nós com entranhado amor paterno e materno.
Não vão pagar nenhuma promessa! Vão em busca de razões para oferecer as suas vidas ao serviço da Pessoa humana, servindo a Igreja que integram, que os acolhe e que os chama a um ministério específico.
Aprendi como se pode peregrinar de alma liberta, de coração sem preocupações nem ocupações estranhas e desnecessárias! Aprendi como se pode peregrinar sem motivos de interesse pessoal, mas apenas no desejo de aprender a servir em total entrega e simplicidade. Deus confirme em quem assim procede o bem que neles já começou!
