Peregrinação Diocesana a Fátima

Maria diz aos aveirenses: “Fazei tudo o que Ele vos disser” “Fátima é o lugar que Deus escolheu, para que Maria mostrasse o lugar de Deus na vida de todos”. Com esta frase, abriu D. António Marcelino a homilia da Missa da peregrinação diocesana ao Santuário de Fátima, no dia 24 de Setembro. E acrescentou: “Não somos turistas. Procuramos a renovação das nossas comunidades e da Igreja diocesana”. Maria “anseia por estar connosco e alegra-se por estarmos com ela”.

A alegria e a participação animada marcaram, de facto, a peregrinação, que levou mais de cinco mil cristãos da diocese de Aveiro, da Murtosa a Anadia, de Sever do Vouga a Vagos, ao Santuário onde Nossa Senhora apareceu em 1917. Não há dados certos sobre o número de peregrinos da diocese, mas as escadarias e a Capelinha estavam repletas. Por outro lado, várias pessoas manifestaram ao Correio do Vouga o agrado que sentiram na peregrinação e o desejo de que se repita, à semelhança do que fazem muitas dioceses e várias paróquias na diocese de Aveiro.

O ponto alto foi a Eucaristia, às 11h; mas todo o dia foi vivido em espiritualidade mariana, começando pela viagem de autocarro, em que, por sugestão da diocese, se meditaram os mistérios luminosos (aqueles criados por João Paulo II), e terminando na Capelinha das Aparições, ao início da tarde, onde aveirenses e outros peregrinos rezaram o rosário e se consagraram, em diocese, a Maria.

As palavras de Maria levam a Jesus

“As palavras que a Bíblia guarda de Nossa Senhora não são muitas; mas as que guarda são determinantes”, disse D. António, na Eucaristia. E, entre elas, as que serviram de mote à peregrinação: “Fazei tudo o que Ele vos disser” – frase que Maria de Nazaré dirigiu aos serventes, nas Bodas de Caná, perante a iminência de faltar o vinho (cap. 2 do Evangelho de S. João). “E o que é que nos diz o Senhor?”, interroga-se o Bispo de Aveiro, para a seguir respigar dos evangelhos frases de Jesus. “Diz-nos: «Vem e segue-me»… «Fazei como eu fiz»… «Não se pode servir a dois senhores»… «Fazei bem aos que vos querem mal»… «Permanecei comigo»… Diz-nos que é a luz, o bom pastor, a porta. Manda-nos em missão… Pede-nos que acolhamos a sua mãe. «Eis a tua mãe». Não há cristãos órfãos de mãe. E ter uma mãe é uma riqueza.”

Apelo à conversão

Sem deixar de se referir constantemente à Mãe de Jesus, que naquele local apareceu aos Pastorinhos, o Bispo de Aveiro exortou à conversão a Jesus Cristo, pensando, talvez, em alguma espiritualidade que valoriza muito as aparições de Fátima e se esquece do essencial. “O crente quer conhecer Jesus Cristo na escola de Maria, porque Ele é o único salvador e redentor. Conhecer Jesus Cristo é querer identificar-se com a sua pessoa, mensagem e missão. Fátima é para isso”, afirmou D. António Marcelino.

O Bispo de Aveiro sublinhou também o silêncio de Maria: “Silêncio interior, que ajuda a escutar. Falamos de mais, escutamos de menos. A oração é mais escuta do que falar. O longo silêncio de Maria é para nós um testemunho”. No final, deixou fortes apelos à conversão dos seus diocesanos: “Não percamos tempo. A vida é breve. (…) A diocese precisa de cristãos a sério. Devotos que a [Nossa Senhora] emitem…. Não partamos de Fátima sem escutar esta palavra. Tomamos a sério o que Ele nos manda? (…) Roguemos à mãe que Deus nos deu que nos ajude a seguir o que Cristo nos diz. Ele chama-nos á conversão. A conversão é graça de Deus, mas ninguém se converte se não quiser converter-se”.

Rosário e consagração a Nossa Senhora

Entre a Eucaristia e a oração do Rosário, às 14h30, os aveirenses tiveram pouco tempo para almoço e convívio. Tal limitação não impediu que a Capelinha transbordasse de fiéis. No Rosário foram lembradas as vítimas dos incêndios (em Portugal) e das grandes calamidades (“na América e em outras partes do mundo”), e em cada um dos mistérios rezou-se pelas crianças, jovens e adolescentes; pobres, doentes e marginalizados; os que entregam a sua vida a tempo inteiro à Igreja, padres, religiosos, bispos e papa; as famílias; e os educadores da fé (catequistas, professores, animadores, pais e avós).

Na oração de consagração, proferida pelo bispo da Diocese e concluída, em coro, com a recitação do “Ó Senhora Minha, ó Minha Mãe”, Nossa Senhora foi invocada por alguns dos nomes que assume na diocese de Aveiro (Sr.a do Socorro, da Nazaré, dos Aflitos, das Candeias, do Bom Sucesso…) e os cristãos pediram o auxílio de Maria para grandes compromissos como o das causas sociais, a defesa da vida, a participação eucarística e a promoção vocacional.