Perfil do Bom Pastor

À Luz da Palavra Domingo IV de Páscoa. Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

Act 4, 8-12; Sal 117, 1 e 8-9. 21-23. 26 e 28cd e 29; 1 Jo 3, 1; Jo 10, 11-18.

No quarto Domingo de Pás-coa, comummente chamado Domingo “do Bom Pastor”, celebramos também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

A nossa terra, os nossos povos necessitam homens e mulheres que, respondendo ao chamamento do Senhor, optem por uma especial consagração a Deus. Homens e mulheres normais, mas que por estarem enamorados de Deus e do mundo, são capazes de contemplar a Deus no coração da história, e de fazer presente a experiência gozosa do Senhor Ressuscitado no meio da sua acção quotidiana. Homens e mulheres de mentalidade aberta que não se escandalizam diante das realidades dos seus irmãos, podendo assim acolher e responder a todos, também aos que pensam e são diferentes. Homens e mulheres dispostos a abraçar qualquer tipo de miséria porque são guiados pelo amor misericordioso que o Pai derrama nos seus corações. Homens e mulheres que mostram uma Igreja alegre, livre, dinâmica, não preocupada consigo mesma, mas em fazer com que todos os homens, muitos deles demasiado carentes, possam descobrir e desfrutar do manancial do amor autêntico.

Por isso, é necessário que hoje todos peçamos “ao dono da messe, que envie trabalhadores à sua messe” (Lc.10,12). Podemos pedir porque o Senhor promete que nos dará “pastores segundo o seu coração” (Jr 3,15).

No entanto, estes pastores, que responderão a um chamamento especial do Senhor, nascem, crescem e aprendem num povo cristão, em que todos estamos chamados a ser pastores, a cuidar dos nossos irmãos. E, todos temos como guia o Bom Pastor.

O Bom Pastor conhece as suas ovelhas (cf. Jo 10, 14), conhece cada uma pessoalmente. Para Ele não há seres anónimos. Cada um é seu, tem um nome, um rosto especial, uma identidade. O nosso Bom Pastor diz-nos que quando vê o lobo aproximar-se, não foge como o mercenário que não é pastor (cf. Jo 10, 12), mas “dá a sua vida pelas suas ovelhas” (Jo 10, 15). Não foge do que é difícil, do que custa, do que não sabe que resultado dará. Arrisca tudo e dá-se por inteiro. Além disso, o nosso Bom Pastor não pode estar totalmente feliz se lhe faltam algumas ovelhas. Por isso, com saudades confessa: “Tenho ainda muitas outras ovelhas que não são deste redil” (Jo 10, 16), e comunica-nos o que pretende fazer: “Preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10, 16). O Bom Pastor deseja que o seu povo cresça, que todos os homens escutem no seu coração o eco da sua voz, que todos experimentem o seu carinho, a sua ternura, o seu cuidado.

Aceitaremos o desafio de ser e de educar pastores segundo o coração de Deus?

Estrella Rodríguez, FMVD