Intelectuais

Livro Intelectuais

Paul Johnson

Guerra & Paz

496 páginas

Publicado em Inglaterra em 1988 e em Portugal no início de 2009, “Intelectuais” é um conjunto de doze biografias de personalidades que, pelas suas descobertas e teorias, influenciaram em maior ou menor grau a sociedade.

Neste conjunto estão Jean-Jacques Rousseau (filósofo iluminista suíço), Shelley (poeta inglês), Karl Marx (filósofo e político alemão), Ibsen (dramaturgo norueguês), Tolstoi (escritos russo), Hemingway (escritor norte-americano), Brecht (dramaturgo alemão), Russel (filósofo e matemático inglês), Sartre (filósofo francês), E. Wilson (escritor e ensaísta norte-americano), Victor Gollancz (editor e activista social inglês), Lillian Hellman (escritora norte-americana).

Cada um dos ensaios biográficos deste “Intelectuais” responde a esta pergunta implícita: Até que ponto estas figuras, preocupadas em influenciar a sociedade (e a até o conjunto da humanidade) foram coerentes com o que escreveram e disseram? A resposta não podia ser mais demolidora. Estes intelectuais foram profundamente incoerentes. Aqui não está em causa a velha questão, por exemplo, se um poeta nazi pode escrever belos poemas. Pode. A beleza estética pode habitar no meio de ideias políticas e sociais repugnantes. Está em questão saber se aplicaram nas suas vidas aquilo que disseram que os outros deviam fazer. Dois exemplos apenas. Jean-Jacques Rousseau, que para todos os efeitos continua a ser o filósofo mais influente nas ideias subjacentes aos programas educativos, abandonou os seus cinco filhos a instituições. Nem um educou. Karl Marx, o grande teorizador da luta dos operários, entrou apenas uma vez numa fábrica, e quase por engano. Durante grande parte da vida o ideólogo teve como empregada uma mulher, Helen Demuth, a quem apenas deu alojamento e alimentação. “Marx nunca lhe pagou um único cêntimo” (pág. 109).

J.P.F.