Perfume de violeta

Lançamento do livro “Acto de Criação” O auditório para lançamento de livros, na Livraria Bertrand (Fórum Aveiro), foi pequeno para todos os familiares e amigos de Fernanda Madeira e Alexandra Madeira, mãe e filha, que na tarde do dia 24 de Novembro quiseram estar na apresentação de “Acto de Criação”. A obra contém os sonetos de Fernanda Madeira e as prosas, reflexões, da filha Alexandra. “Foi uma homenagem que quisemos fazer à minha mãe. O livro é sobre o caminho da vida; por isso segue as quatro estações, da Primavera ao Inverno”, diz Alexandra Madeira, pintora e joalheira com gosto pela escrita.

Porque do “caminho da vida” se trata, nas páginas de “Acto de Criação” surgem o amor-paixão (“Quem encontrou na vida uma paixão, não envelhece”), o amor divino (“…é uma dádiva de Deus para chegar mais perto dele”), o amor maternal, os pensamentos indomáveis como “cavalos à solta nas pastagens”, a desilusão (“Não esperes pela ajuda dos outros para ser feliz. Morres antes de o conseguires”), a memória do pai de Fernanda Maria (“Pensando nos meus tempos de menina, / sentia-te um esteio, um alicerce; / e, na minha saudade, predomina / tua figura fina que não ‘squece”), os netos…

Coube a Mons. João Gaspar, conterrâneo e amigo de longa data desta família de Eixo, fazer a apresentação. “Este livro é um abraço de duas gerações”, disse. “Ao longo das suas páginas, pressente-se o íntimo de duas almas que diria gémeas, se uma não fosse a causa da outra… ou se uma não fosse efeito da outra”.

Porque de poesia e de prosa poética é feito o livro, não podia faltar a definição de poeta. Todo o poeta, alguma vez na vida, reflecte e compõe sobre si próprio: “Poeta é ser diferente neste mundo, / fonte de emoção, a qualquer momento / quem atingir o sol, voar com o vento / quem viver cada instante, bem fundo. // Poeta é um ser insatisfeito, / alguém que quis ir longe e não chegou, / ser estranho, que nunca se fixou / mas quis sentir a vida, por inteiro. // Ter a terra e o mar em suas mãos, / ter os pássaros como seus irmãos, / ter asas leves, como borboleta… // Poeta, alguém que nunca se encontrou, / ser inconstante que não se realizou, / alma à deriva, perfume de violeta”(pág. 17).