Planeamento

Ponta de Lança Ainda agora terminou (a época desportiva) e já não se fale de outra coisa: planear!

Tudo é planeado, dá um ar sério à coisa. As propostas são mais credíveis quando bem definidos os seus objectivos (gerais e específicos), metas, calendarização, protagonistas, destinatários, dependendo da estrutura e da natureza do trabalho que se pretende desenvolver.

Mas com tanta organização, por que é que entre nós há uma lógica de insucesso; uma cultura já sedimentada de resultados nefastos de impunidades, de alienamento?! Presume-se que tudo resulte de uma resistência patológica à avaliação. O planeamento exige vectores de ponderação, de avaliação pontuais, intermédios, finais. Só avaliando se evoluiu, há desenvolvimento.

E mais cientes desta realidade ficamos quando até valores estruturais da sociedade, como é a realidade familiar, tem uma estrutura que se chama planeamento familiar. A DECO, associação de defesa do consumidor, acaba de publicar uma análise do estudo que efectuou sobre o desempenho de alguns organismos (supostamente com responsabilidade na matéria, portanto, protagonistas, logo se depreende), onde faz notar que há legislação sobre planeamento familiar para jovens que é boa, muito boa mesmo, mas na prática deixa bastante a desejar.

Problema número um: segundo a Deco, mais de metade dos 85 centros de saúde, hospitais e delegações do Instituto Português da Juventude visitados fecharam as portas às raparigas (entre os 15 e os 20 anos) que os procuraram na tentativa de aceder a uma consulta de planeamento familiar. Problema número dois: em 14 dos serviços as adolescentes saíram de mãos a abanar, na maior parte das vezes porque não havia contraceptivos. Problema número três: em vários centros de saúde, os funcionários da recepção falavam alto, deixando as jovens embaraçadas. O estudo revela uma das maiores debilidades que existem actualmente nos cuidados de saúde sexual e reprodutiva: o acesso de jovens a este tipo de cuidados para o Planeamento da Família (APF). A lei diz que os centros de saúde devem atender os jovens em consultas de planeamento familiar mesmo que estes não estejam ali inscritos. O que faz sentido porque nesta faixa etária a privacidade e a confidencialidade são fundamentais. Mas a realidade constatada no terreno pelas colaboradoras da Deco (que efectuaram visitas anónimas) demonstra que há um grande abismo entre a teoria e a prática. A agravar só em 12 dos 49 casos foram indicadas alternativas de atendimento.

E será isto planeamento? Planeamento da família? Com toda esta legislação “tão boa”, teremos de revisitar Fernando Salvater, está na moda, é espanhol e pouco ortodoxo, entre outras coisas, na forma como aborda a situação da família dadas as teorias sociais a que foi conduzida.

Em suma, com um planeamento assim… não é de estranhar as descidas de divisão!

Desportivamente… pelo desporto!