Colaboração dos leitores Está dito que interessa à Igreja tudo quanto é humano ou diz respeito ao homem. Não é pois de estranhar que a actividade política seja, não apenas um campo da maior importância, mas o de maiores implicações na missão da Igreja no Mundo, especialmente nos nossos tempos.
De acordo com o método que aconselha a ver atentamente para poder julgar com merecimento e agir consequentemente, a Igreja costuma fazer pausas, concretizadas nos concílios, sínodos e assembleias gerais.
Durante aquelas pausas a Igreja tem procurado examinar-se a si própria e, também, examinar o mundo ou a sociedade temporal que ela tem por missão tornar mais humana, portanto mais cristã.
Se nem sempre tem sido fácil ver e julgar, também é verdade que poucas vezes lhe tem sido possível agir com inteira liberdade. E assim tem acontecido não só por virtude de erros e insuficiências dos seus próprios membros, como também por efeito de pressões exteriores, especialmente do poder político.
Quanto aos erros e insuficiências dos próprios fiéis, é evidente a necessidade de reiterados esforços com o fim de os reduzir, o que não será conseguido se não fizerem uma caminhada de purificação e aperfeiçoamento.
Nos tempos passados, os detentores do poder político e económico conseguiram por vários modos servir-se da Igreja para manter ou alargar seu poderio e influência.
Nos dois últimos séculos, à medida que a consciência da Igreja mais se esforça por conduzi-la a salvo das pressões dos poderosos, maior tem sido o empenhamento destes para silenciar a sua voz, para impedir que ela opere e cresça e, até, para que ela enraíze ou simplesmente viva.
Uma Igreja inteiramente liberta das pressões e influências dos poderosos e da classe política não pode deixar de se afirmar e de estar presente em todos os campos da actividade humana.
Quase todas as expressões da actividade humana são comandadas ou condicionadas pelo tipo de princípios ideológicos que determinam o percurso social, económico, cultural, religioso, moral e político da Nação.
A intervenção dos leigos e seus pastores no campo da actividade política é assim uma exigência e condição indispensável ao desempenho do seu papel evangelizador, isto é, à acção que lhe cabe desenvolver para bem cumprir a sua missão no Mundo.
É por demais evidente que a acção evangelizadora da Igreja não pode agradar nem ser aceite pelos seus inimigos, pelos que procuram dominá-la em ordem aos seus interesses, pelos que teimam silenciá-la por incómoda, ou pelos que há muito, por ódio a Deus, apostaram na sua ruína e destruição.
Carlos da Costa Campos e Oliveira
