Catequese quaresmal Banalização do divórcio. “O número crescente de divórcios constitui mesmo uma situação preocupante para a Igreja. No entanto, a Igreja, não fechando os olhos a este fenómeno, continua a defender que o casamento, uma vez realizado, é tido como válido e, por isso, indissolúvel. O divórcio banalizou-se e, por isso, não falta quem pense e diga que a Igreja está a ser intransigente perante este facto que toca a vida de tanta gente”. A estas frases proclamadas e entregues por escrito aos participantes da catequese quaresmal, D. António Marcelino acrescentou que “não é por casmurrice ou teimosia” que a Igreja impede um segundo casamento católico. Mas afirmou igualmente que alguns casamentos são declarados nulos, permitindo que as pessoas possam refazer as suas vidas no contexto eclesial. “Isto acontece com maior frequência do que se pode pensar”, disse, sublinhando que a Igreja “declara nulos”, mas não tem poder para “anular”. A distinção é importante. “Anular” seria desfazer algo que estava feito. “Declarar nulo” é reconhecer que, por algum motivo, o casamento, verdadeiramente, nunca chegou a acontecer.
As causas. Onde radica, afinal, as razões da Igreja para a sua convicção? “As causas do divórcio são muitas: a longevidade da vida humana pode assustar quem vai assumir o compromisso; é maior o factor da mobilidade, provocando instabilidade; a mulher adquiriu um novo estatuto social; as pessoas divorciadas conhecidas, principalmente os modelos televisivos, influenciam; há mais imaturidade e ‘impreparação’ para o casamento…” Ora, “a Igreja não é insensível a estas situações, mas apoia-se numa convicção inabalável que é o projecto de Deus, a convicção de que o amor é mais forte do que a morte e de que um casamento único e definitivo é a melhor tradução do amor feito aliança”.
Defesa do essencial. “Não falta quem pense que a Igreja rejeita os divorciados recasados, e estes consideram-se marcados pela exclusão, uma vez que não se lhes permite um segundo casamento religioso e por lhes estar vedado o acesso à comunhão eucarística. Esta segunda situação é de mais difícil compreensão, mas trata-se apenas da impossibilidade da confissão e, logicamente, da comunhão. Não se trata nem de castigo, nem de juízo da opção tomada, mas de defesa da indissolubilidade e de juízo de uma situação de facto, contrária ao casamento e à sua dignidade. A severidade da Igreja, se assim se quiser considerar, é defesa do matrimónio e da família, como bens fundamentais”. “A Igreja não pode saltar por cima do essencial. E ainda bem que tem convicções! Hoje, já quase está sozinha da defesa da vida e da família estável”, afirma D. António.
Excluídos? No entanto, “uma mãe nunca pode deixar de amar e cuidar dos seus filhos e de todos os baptizados. Mesmo se divorciados recasados, são filhos da Igreja”, afirmou D. António Marcelino. “Todos conhecemos cristãos nesta situação que se esforçam por pôr o Evangelho em prática no seu dia-a-dia, deitam mão de tarefas que fazem parte da sua vida como a educação cristã dos filhos, a começar pela vontade de que recebam o baptismo. Quantas vezes encontram assim o caminho da oração e da esperança do perdão a dar e a receber. Igualmente procuram dar o testemunho profissional a que são chamados na vida diária, e realizam tarefas de serviços aos outros…”
Criatividade. D. António Marcelino não exclui que a Igreja venha a mudar a sua prática nesta questão, principalmente em relação à parte do casal que não queria o divórcio mas a ele foi forçada. Entretanto, há que recuperar de um “défice de acção pastoral” para com os divorciados recasados. Para isso, é preciso “muito criatividade” e vencer as resistências daqueles que, dentro da Igreja, se comportam como “irmãos mais velhos do filho pródigo”.
Próxima catequese quaresmal, dia 26 de Março, às 21h15, no Salão de S. Domingos. Tema: Tem a família uma missão a cumprir na Igreja e no mundo, para além daquela que se refere aos filhos e aos avós?
