Li de passagem e não “arquivei” a negrito. Mas voltei a trás. E pareceu-me que teria de refazer o registo da memória. As palavras eram de Einstein: “É mais fácil desintegrar um átomo do que desfazer um preconceito”. Tratava-se, no contexto da leitura, dos efeitos maléficos dos “rótulos” que pomos às pessoas, mesmo que fruto de diagnósticos profissionais.
A minha reflexão foi para outros horizontes, onde a verdade continua a ser contundente: nas escolas, nas associações, nas famílias, nos grupos…, criam-se carapaças de preconceitos, que nenhum “reactor educativo” consegue desintegrar. O pseudo rigor científico, que vai da biologia à matemática, que vai da história à psicologia…, formatam preconceitos mentais e afectivos, que empestam a sociedade dos nossos dias e deterioram o santuário mais íntimo das convicções e relações interpessoais.
A tendência, nestes últimos tempos, é para explorar ocorrências comuns, “acidentes” ocasionais, descobertas curiosas…, transformando tudo isso, pelo potencial mediático ou pela “auto-ridade” dos “peritos”, em preconceito anti-religioso, mais explicitamente anti-católico. E resulta! O efeito de precon-ceito enquista, fossiliza rapidamente, tornando inúteis todos os esforços libertadores.
Desde o Código Da Vinci ao Evangelho de Judas, passando por pseudo evolucionismos, concepções de sexualidade, “nebulosas” de liberdade…, há uma teia de “ideias” que nidificam com a maior facilidade no coração e no espírito dos mais novos, como legítimas sucessoras do estafado jacobinismo. Aquilo que eram ideologias conhecidas e reconhecíveis desdobra-se agora numa panóplia de ofertas “baratas” e sedutoras, que avançam, de forma galopante, como receitas seguras, ideias irredutíveis, sinónimos de progresso e “iluminação”…
Precisamos de águas cristalinas, nos mundos da educação, de espíritos lúcidos e translúcidos, de corações passíveis de mudança, de “mestres” que dêem balizas, mas deixem caminhos abertos, dúvidas e sede de busca. É contra a própria ciência, a mais exacta que seja, dar conteúdos fechados. O culto do preconceito é o dragão voraz da autofagia!
