Preocupações que são problemas da gente nova

Nos últimos tempos, tenho reunido frequentemente com pequenos grupos de jovens, uns a terminar o secundário, outros já nas escolas superiores e, também, alguns recém licenciados. Estou mais para ouvir do que para falar, ou para só falar depois de ouvir.

Abrem facilmente o diálogo quando se trata das suas preocupações e dos problemas que as mesmas vão gerando. Sentem-se muito solidários, porque as nuvens que encobrem o sol da esperança tocam à maioria dos presentes.

Falam da insegurança frente ao futuro, do pouco que vale ter um diploma de curso em relação ao mercado de trabalho, do adiamento que se impõe de projectos de vida, com os anos a passar, como é o de constituir família… Interrogam-se sobre o que vale a pena, quando o futuro não sorri ou quando não há sentido para a vida e para o esforço que esta exige… Queixam-se por ver que a sociedade, que fala tanto dos jovens, por fim, pouco ou nada faz por eles e nivela-os todos como se todos fossem banais e irresponsáveis… Contam factos de portas que se fecham, de pais que nem sempre os compreendem, de muitos conselheiros que mais precisam eles próprios de conselhos… Sentem satisfação por alguém os ouvir até ao fim e tomar a sério o que dizem e lhes dói.

Alguns problemas vão-se resolvendo quando se verbalizam. Então, a palavra de quem escuta pode agora ouvir-se com algum acolhimento. Ninguém tem a resposta que soluciona tudo, mas nem é essa que se espera.

Dou então por mim a dizer, serenamente, que um jovem que está na universidade ou já concluiu um curso foi protagonista de muitas vitórias, ultrapassou muitos obstáculos, tem experiência de que é capaz de muita coisa válida. Então, uma coisa é agora certa: não se pode desistir, nem dar lugar ao desânimo que desmotiva e mata. A vida não é vida quando se pensa que todas as portas devem estar abertas à nossa chegada e que se pode ter vitórias sem lutas e esforços.

Viver é desejar viver e fazer pela vida. Um curso não dá apenas um diploma, dá ainda capacidade para ser criativo, inovador. Na escola, também se faz experiência do grupo, que se completa e procura em comum, como dá elementos para analisar situações e procurar caminhos. No fundo, o que se pode e deve dar nestas circunstâncias é mostrar e sublinhar o valor da esperança. A verdadeira esperança nunca é vã. Só ela permite lutar e esperar resultados sem marcar prazos. Então, podem relatar-se casos, nossos e de outros, em que os obstáculos foram desafios que redundaram em sucesso.

Há que insistir: quem hoje lida com a gente nova tem de acender os faróis máximos para não tirar luz ao que está perto, mas mostrar horizontes largos e longínquos, capazes de fascinar e impelir a ir mais longe. E assim acontece a uns que diversificam os estudos já feitos, a outros que arregaçam mangas e deitam mão a serviços que não envergonham ninguém, ainda a outros que se decidem a fazer grupo para criarem o seu mundo de trabalho e mostrar o que são capazes. Olhos abertos para a realidade e coração disponível para querer ir mais além.

Mais complicada é a situação da gente mais nova que diz que a sua vida não tem sentido: porque estudar, porque trabalhar, porque privar-se de gozar, se isso aparece como o que mais solicita e onde se encontra mais gente a pensar do mesmo modo e a querer o mesmo? Lamentavelmente, o ambiente que nos cerca favorece este vazio sem presente nem futuro. Um desafio a todos os educadores que não podem mais ser repetidores de conselhos, mas mestres a favorecer aprendizagens de vida. Não se é um protagonista um dia de coisas grandes, se não se aprender a sê-lo todos os dias nas coisas pequenas e acessíveis. Educar não é iludir a vida, mas ensinar a viver em todas a situações de vida. Só gente com sentido na vida é capaz de ajudar outros a dar sentido à própria vida. A gente nova anda no vento. Precisa cada vez mais de gente com os pés no chão.