Memória CV – Há 30 anos No dia 4 de Junho de 1976, o primeiro-ministro, almirante Pinheiro de Azevedo, deslocou-se a Aveiro. O Correio do Vouga deu notícia na edição de 11 de Junho desse ano.
Pinheiro de Azevedo, que nas eleições de 27 de Junho de 1976 seria candidato à presidência da República, deslocou-se de helicóptero, tendo aterrado no Estádio Mário Duarte. Como o ambiente era de pré-campanha (as eleições seriam ganhas por Ramalho Eanes), o primeiro-ministro declara à chegada: “Esta visita foi programada há muito tempo. Nada tem a ver com a minha candidatura e insere-se num desejo que tenho de criar postos de traba-lho, o mais rapidamente possível, e observar ainda como estão a decorrer os investimentos no Vale do Vouga”.
Na altura, na cidade de Aveiro, havia três assuntos em discussão: a construção de uma “cidade-satélite” em Santiago, a necessidade de uma passagem desnivelada para Esgueira e a “questão da Bacia do Vouga”. Quanto às duas primeiras, como se sabe, viriam a ser resolvidas. Quanto à terceira, dizia o primeiro-ministro que “aqui não se trata de dinheiro, uma vez que o investimento é produtivo; trata-se é de capacidade de realização”. O que previa, afinal, o projecto do Baixo Vouga? A notícia do semanário da Diocese de Aveiro refere estes aspectos: intervenção numa área de 50 mil hectares, desde o Vouga até às portas da Figueira da Foz; uma estrada-dique de Aveiro até à Murtosa; e quatro barragens (Antuã, Marnel, Ribeiradio e Rio Boco) para controlar as águas e produzir energia. O reordenamento do Baixo Vouga deveria fazer aumentar a produção de carne em 26%, a de leite em 30% e a de produtos hortícolas 50 vezes mais (!). Como é sabido, o reordenamento da Bacia do Baixo Vouga nunca saiu do papel.
